Revista Criança Cidadã - Matérias

Jovens Talentos

Edição 27 - Setembro/Dezembro 2018

Outros potenciais artísticos e intelectuais

Além da música e do esporte, alunos da OCC e da ABCC se destacam em habilidades extracurriculares como origami, desenho e xadrez

Como músicos e esportistas, os alunos da Orquestra Criança Cidadã e da Associação Beneficente Criança Cidadã, respectivamente, já são para lá de reconhecidos. Mas eles ainda se destacam em outros talentos. Alguns desenham, outros fazem origami e tem até campeã no xadrez, entre os 460 alunos da ABCC e OCC. No ambiente do projeto, alguns conseguem se destacar nas atividades artísticas e ajudam os colegas a ampliarem os horizontes da criatividade.

Pelos seus traços, ora coloridos, ora em preto e branco, a contrabaixista do Núcleo do Ipojuca Wélida Leite, 19, consegue se expressar e mostrar a relação entre o ser humano e a natureza. Desenhar, aliás, é comum na família: seus irmãos e até o seu sobrinho, o também aluno da Orquestra, Paulo Rodrigo, distinguem-se no hobby. Inclusive, Paulo, é o autor da ilustração do instrumento nesta matéria. O caminho de sua tia na arte se iniciou com a reprodução de desenhos animados, retratos e hoje sua paixão é a de representar a natureza. “Já me perguntaram por que uso muitas árvores, eu respondo que elas são como o ser humano, que com o passar do tempo passam a ter ideias, expressando-se através dos galhos e folhas”, argumenta.

Na Escola Estadual Albertina da Costa Soares, onde Wélida estuda, a contrabaixista já coleciona alguns de seus projetos. Nas paredes internas da instituição, há, ainda, desenhos de outros alunos, entre eles, os do colega de instrumento Jhorsily Lima. Do mesmo modo, quem se expressa através desta arte é a aluna do Núcleo de Igarassu, Amanda Veiga, 15, estudante de flauta doce e escaleta. “É como passar um sentimento para o papel, e uma forma de distração”, comenta. Sua preferência é a de retratar personagens de filmes, mas a temática pode ser livre, como na ilustração complementar desta matéria.

Já o seu colega da OCC Igarassu, Ezequias de Araújo, 13, usa a habilidade para fazer pulseiras, colares e anéis em ligas de borracha ou em ferro, como uma forma simbólica e econômica de presentear aos colegas do projeto e à professora Basemate Neves. “Aprendi com a minha prima Elisa, que estuda aqui, mas a parte de ferro tive de me virar sozinho”, lembra e complementa: “Gosto de dar os acessórios de presente, pois me sinto bem e vejo que quem recebe também se sente”.

No Núcleo do Coque, dois xarás dominam a técnica do origami. O veterano na Orquestra e no hobby é o aluno de trompa, Wesley dos Santos, 11, e um de seus aprendizes e parceiros é o estudante de violino, Wesley Xavier, 11, que você pode conferir no vídeo do QR code da página 32. O aprendizado veio com um colega da escola e ele tem compartilhado o conhecimento, fazendo flores, pássaros e outras miniaturas. “Gosto [de fazer origami] porque passo o tempo e até alguns alunos da Orquestra já aprenderam comigo”, lembra o trompista.

XADREZ, CANTO E DANÇA — Ainda no que se refere às habilidades manuais, na sede da ABCC, o monitor de xadrez José Cabral acumula talento no teatro e na confecção de máscaras, com o que aprendeu em oficinas da instituição. “O projeto nos dá essa oportunidade de fazer algo novo, a maioria dos alunos aqui não sabia fazer máscaras, por exemplo; e com o teatro, perdi a timidez”, compara.

Auxiliar o voluntário Guilherme Cavalcanti no ensino da arte milenar do xadrez é considerado como outra vantagem pelo monitor: “É bom porque o xadrez é um jogo de estratégia e força a memória, então ajuda nisso”. Quem também se destaca no jogo de tabuleiro é a violista do Ipojuca, Evelyn Niccoly da Silva, 12, que já contabiliza quase 15 medalhas em competições pelo esporte. Tanto tocando o seu instrumento como quando está jogando, sua postura chama a atenção e ela explica: “Fico bastante concentrada para não fazer um movimento errado ou tocar uma nota errada”.

O primeiro intercambista do Núcleo do Ipojuca pelo Programa Ganhe o Mundo Musical, Marvson Arouxa, 17, aproveitou a oportunidade de morar por seis meses no Canadá para aprender não só o seu instrumento, o contrabaixo, mas, também, para se aventurar em outras searas musicais. Neste caso, cantando. “Minha apresentação mais marcante foi com ‘Garota de Ipanema’, em inglês e português, no concerto da banda da Killarney School”, recorda.

Pela OCC, em 2017, Marvson guardou em foto o momento de ter cantado ao lado dos seus colegas. Islayne Oliveira, 13, assim como ele, participou de eventos com a Orquestra, sem ser necessariamente tocando o seu violino. Em performances que incluíram a dança, a violinista pode demonstrar sua desenvoltura com as coreografias. “Desfilo com a escola desde os meus três anos, a dança é um pedaço de mim e gosto de vários ritmos”, entrega.

O canto, a dança, o desenho, a música e tantas outras habilidades pelas quais os Meninos do Coque, do Caiara, do Ipojuca e de Igarassu chamam atenção, ainda que provenientes de localidades onde a cultura não é amplamente disseminada, engrandecem o objetivo social dos projetos. Fazer parte dessa descoberta de talentos é a engrenagem do trabalho da ABCC e da OCC no cenário pernambucano. Dar voz e espaço para que mostrem suas potencialidades é um compromisso. Vê-los contentes e esperançosos num futuro melhor, a maior recompensa.

Confira outras edições