Revista Criança Cidadã - Matérias

OCC Ipojuca se aperfeiçoa na técnica e na musicalidade

Edição 27 - Setembro/Dezembro 2018

A ramificação da Orquestra Criança Cidadã em Camela permite apresentações e ensaios concomitantes sem prejuízo no rendimento escolar dos alunos

Com quatro anos de existência completados em setembro, a Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Ipojuca já caiu nas graças do público. Não só em Camela, onde atua na formação de 100 músicos, mas no município do Ipojuca como um todo e ampliando cada vez mais seu alcance em Pernambuco. Apostando no desenvolvimento específico dos grupos representativos, atualmente, a unidade conta com três denominações, como no Núcleo do Coque: A, B e C, cada uma com trabalhos pedagógico e musical direcionados ao nível apresentado nos instrumentos.

A escalação principal, ou Orquestra A, está presente na maioria dos eventos externos e é formada por 43 alunos. Os alunos da Orquestra B são em 25 e, finalmente, a Orquestra C conta com 32 integrantes. A divisão foi pensada a partir de 2015, após um ano de trabalhos, quando o progresso pedagógico dos alunos foi se diferenciando um dos outros. “A evolução foi muito rápida, pois como a assimilação no instrumento é diferenciada, possibilitou que trabalhássemos variações no repertório”, lembra o coordenador pedagógico Márcio Pereira.

No segundo semestre de 2018, o maestro Márcio alcançou a meta de incluir mais peças do período clássico no repertório da Orquestra A, como a Pequena serenata noturna, de Mozart, que passou a ser executada completa, em seus quatro movimentos. “Não é só tocar as notas, afinal eles já tocam, mas o desafio é que eles toquem com a afinação correta e dentro do estilo que o compositor pede”, explica o regente.

Pelas dezenas de lugares visitados, levando a música às milhares de pessoas que já presenciaram os Meninos do Ipojuca, a maior parte na Região Metropolitana do Recife e na Zona da Mata Sul, algumas composições viraram marca do grupo — as regionais, em especial, pela afetividade à origem do projeto e da maioria dos espectadores, mas outras se somam à lista. É o caso dos hinos do Ipojuca, de Pernambuco e do Brasil, além das peças religiosas, frequentemente solicitadas em apresentações vinculadas à temática do sagrado.

Vale lembrar que o repertório é elaborado semestralmente para cada orquestra e a intenção é priorizar o trabalho técnico, como postula o maestro: “Colocamos peças que agradem o público, mas sem esquecer a parte didática, fazendo com que os alunos cresçam musicalmente e tecnicamente”. Também, com a periodicidade semestral, é realizada a prova seletiva para a composição das orquestras e definição do spalla e chefes de naipes. Ao início do ano, a avaliação é baseada no que o aluno estudou nas férias. No meio do ano, há um novo teste em que o número de integrantes das Orquestras A, B e C pode se manter ou não.

Os ensaios dos três grupos acontecem nas manhãs dos sábados e, quando há uma apresentação programada, é feito um trabalho mais direcionado com o supervisor pedagógico Ademar Rocha, às quartas-feiras. Nos ensaios regulares, o maestro Márcio dá as coordenadas para a Orquestra A; a Orquestra B é guiada pela professora de violino Manoela Dias, responsável pelo grupo desde a sua criação, tanto na preparação como nas apresentações. A docente afirma que, com a escolha pedagógica, foram observados mais esforços dos alunos, visando à orquestra principal do núcleo do Ipojuca. “Nós avaliamos, ainda, o quesito comportamental, não somente a questão técnica; vir para ensaios e aulas também conta”, complementa.

Recentemente, a professora implantou na Orquestra B a “Competição entre naipes”, que didaticamente, visa o estímulo à prática das obras através de uma disputa saudável. “Cada naipe tem um período para estudar o repertório apontado e apresentá-lo no ensaio semanal; cria-se o espírito de equipe e, de certa forma, estão estudando para a Orquestra”, pontua. A cada ensaio, os naipes pontuam de acordo com a execução das peças. Segundo a docente, o naipe vencedor receberá um prêmio — “algo divertido”, promete.

Entre as apresentações mais marcantes das Orquestras A e B, segundo Márcio Pereira e Manoela Dias, respectivos regentes, estão: o 1° Concerto, em Ipojuca-Sede, em dezembro de 2014, com a participação dos Meninos do Coque, e a Recepção à Tocha Olímpica, no distrito de Nossa Senhora do Ó, em junho de 2016. Em ambas, a Orquestra estava com sua formação integral, sem subdivisões entre os 100 músicos e musicistas.

Acerca dos instrumentistas da Orquestra B, Manoela lembrou-se ainda da abertura da Festa Literária Internacional do Ipojuca – Flipo 2017, em setembro daquele ano. Especificamente da escalação principal, a Orquestra A, o maestro destacou ainda a participação durante a solenidade da 4ª edição da entrega da Medalha Eduardo Campos, promovida pela Defensoria Pública do Estado de Pernambuco (DPPE), em março deste ano.

Coincidentemente, Luanderson Ferreira, 17, definiu a ocasião como a mais marcante das apresentações que participou. O motivo: sua primeira vez como spalla. Na função, ficou por seis meses e avaliou o aprendizado: “Responsabilidade, compromisso, respeito com os outros e manter o que foi estudado foram as contribuições para a minha formação como músico”. Aliás, o senso de responsabilidade também foi citado por Layanny dos Santos, 14, spalla da Orquestra B. “Sou responsável pelas partituras, por transmitir avisos da professora ao grupo, bem como por marcar ensaios de naipes”, diz, compenetrada, e complementa que ainda não se apresentou liderando a Orquestra B, mas se diz ansiosa pelo momento.

ORQUESTRA C — Os novatos que substituíram alunos desligados, a partir de 2016, também precisaram ser direcionados para um trabalho orquestral mais inicial, sem comprometer o avanço daqueles com mais tempo no projeto. Nesse intuito, foi criada a Orquestra C, que enfoca as atividades de leitura e ritmo, com o professor Claudenísio Mendes. Para a compreensão das partituras, vem sendo utilizado o método I can read music, de Joanne Martin. Até o presente momento, os instrumentistas ainda não se apresentaram externamente, mas avançam com a prática de Orquestra, nos ensaios aos sábados, para uma eventual oportunidade.

Confira outras edições