Revista Criança Cidadã - Matérias

Pedagogia - Aperfeiçoamento docente para a melhoria do aprendizado

Edição 27 - Setembro/Dezembro 2018

Nos três núcleos da OCC, professores se dedicam a aprimorar a didática através de capacitações nos mais variados métodos pedagógico-musicais

Para que os 360 alunos distribuídos nos três núcleos da Orquestra Criança Cidadã (Coque, Ipojuca e Igarassu) tenham o melhor aproveitamento possível durante o aprendizado, os professores têm aperfeiçoado a parte pedagógica, tomando parte de cursos de especialização na área metodológica. Nos anos iniciais de ensino na OCC, vários professores incorporaram elementos da filosofia desenvolvida pelo educador japonês Shinichi Suzuki (1898-1998).

No Núcleo do Ipojuca, o coordenador pedagógico e regente Márcio Pereira lida com o método há muitos anos, mas aperfeiçoou o ensino após participar de um curso de Filosofia Suzuki. “Comecei no Projeto Social Suzuki do Alto do Céu [coordenado pelo Conservatório Pernambucano de Música]. Lá, a gente trabalhava um pouco da filosofia, com a questão da percepção e da ajuda dos pais. Tive uma base boa... Foi um divisor de águas quando fiz o curso de Filosofia Suzuki. Depois disso, voltei com uma mentalidade totalmente diferente de como eu pensava quando comecei a trabalhar com alunos”, analisa.

Ex-aluna da OCC com ênfase em Viola, a professora de Iniciação Musical do Núcleo do Coque Rebeka Muniz fez o curso de extensão em Filosofia Suzuki na cidade de São Paulo. Em 2018, ela concluiu a graduação de Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e utilizou a aplicação do método na Orquestra como tema do projeto experimental. “Algumas adaptações do método são feitas aqui [na OCC], já que se trata de um projeto social e a filosofia foi pensada para crianças entre três e quatro anos, e, na Orquestra, a gente atende crianças com no mínimo sete anos”, ressalta.

Outra professora de Teoria Musical do Núcleo do Coque, Amilca Aniceto, procura trabalhar aspectos lúdicos com seus alunos, tornando, assim o aprendizado mais dinâmico. “Ano passado, fiz um curso chamado Boomwhackers... Tem esse nome diferente. Ele trabalha com canos... que você os toque e faça alguma melodia... É tudo muito colorido e traz a ideia da musicalização infantil. Serve para adolescentes e professores também”, detalha.

Fundado em fevereiro de 2017, o Núcleo de Igarassu é o mais novo da Orquestra. A professora de Teoria Musical de lá, Basemate Neves, especializou-se em Metodologia do Ensino da Música pelo Instituto Brasileiro de Pós-Graduação e Extensão (IBPEX) e também tenta levar para a sala de aula características de diversos métodos: “Como professora da área de Educação Musical, senti a necessidade de ampliar meus conhecimentos. Ao estudar mais profundamente os métodos ativos da educação musical, percebi que cada um deles traz uma contribuição diferenciada. O Orff dá um grande enfoque na improvisação e criação musical, o Kodaly enfatiza a prática vocal em grupo, enquanto o Dalcroze relaciona a música ao movimento”.

O PASSO – Outro método que vem sendo utilizado para o ensinamento musical na OCC é O Passo, criado pelo professor Lucas Ciavatta em 1996. No Núcleo do Ipojuca, o professor de Teoria Musical e Canto Coral Jadson Dias vem desde 2016 implantando técnicas dessa metodologia nas aulas. “O que me chamou atenção foi a eficiência dele como instrumento de alfabetização musical para qualquer pessoa”, destaca. O primeiro contato de Jadson com O Passo ocorreu em 2011, quando fez um curso de especialização na UFPE, ministrado por Ciavatta. Em dezembro de 2015, participou de nova formação, no Paço do Frevo. “O diferencial d’O Passo é que ele não dissocia o movimento corporal do aprendizado musical. Ele vem com uma proposta do movimento corporal baseado no andar, que é feito um modelo de regência com os pés, onde a gente marca com o corpo os tempos”, avalia.

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