Revista Criança Cidadã - Matérias

Alunos OCC

Edição 27 - Setembro/Dezembro 2018

Thierry Santos
O jovem percussionista Thierry Santos, 20, tem revelado uma autêntica vocação para o ensino musical. O comportamento responsável o tornou monitor, no Núcleo do Coque, e chefe de naipe da percussão da Orquestra Jovem, em 2015. A vontade de lecionar é tanta que ele ingressou no curso de licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no segundo semestre de 2018. O cotidiano na OCC despertou em Thierry o desejo de repassar o que aprendeu. “Quando virei monitor, se abriu outra porta para ensinar. A satisfação de ensinar é maior do que a de tocar, para mim, mas eu gosto de tocar também. É gratificante ajudar a formar novos músicos”, analisa. Thierry sonhava em ser bombeiro, na infância, mas a entrada na Orquestra, em 2009, o fez mudar de planos. Já no processo seletivo, demonstrou jeito para a percussão. “Quando fiz minha prova de aptidão musical, fui melhor na parte rítmica.” O contato inicial com a música clássica ocorreu justamente ao integrar o projeto. Com a OCC, ele já teve a oportunidade de se apresentar no Vaticano e em Portugal (em 2014), nos Estados Unidos (2016) e, mais recentemente, na Argentina (2018). Primeiro músico da família Silva Santos, Thierry foi inspiração para o irmão, Vinícius, que também estuda percussão no Núcleo do Coque. Filho da bibliotecária Tânia Santos e do cobrador Gilson Silva, ele conta que o aprendizado musical só foi possível graças ao apoio da dupla, em especial de Gilson. “Meu pai sempre deu força e insistiu para a gente não desistir de nada. Porque na época dele não foi fácil. Ele não ganhou nada e nem mãe teve direito, que teve de colocá-lo num orfanato depois que o pai morreu”, revela. Além da família, Thierry reconhece o incentivo do professor Enoque Souza. “Ele também é um pai para mim. Sempre ajuda e está preocupado com todo mundo na sala. Quando aparece alguma oportunidade, ele nos indica para tocar.” (HN)

Saulo Henrique
“Certo dia estava com minha amiga e escutei um som sutil. Me aproximei e pude perceber que uma pessoa estava tocando, mas eu não tinha noção do que estava acontecendo”. Foi assim que Saulo Henrique conheceu os sons que vinham do Núcleo do Ipojuca. A amiga Késia Ferreira o incentivou a fazer a prova de seleção, na primeira oportunidade. “Umas das etapas era para cantar. Já estava quase desistindo, porque quem me conhece sabe que eu não sei cantar”, relembra Saulo, que foi aprovado em 2014 (ano de instalação do Núcleo) junto com Késia, a qual passou pouco tempo no projeto. Ele não sabia sequer o que era uma orquestra, nem imaginava que, um dia, iria sair de sua comunidade, o distrito de Camela. “Moro em um lugar onde as pessoas olham e dizem que não temos nenhum talento, que não temos futuro”, conta. O jovem violista de 16 anos acabou-se tornando o segundo músico ipojucano selecionado para tocar com a orquestra dos Meninos do Coque (o primeiro foi o contrabaixista Jhorsily Lima) e o primeiro a viajar para o exterior como integrante dela. Saulo aponta a viagem à Argentina, em julho passado, como a experiência mais marcante na OCC (“tirando a parte de não gostar de andar de avião”, brinca), mencionando, em especial, o concerto na Catedral Metropolitana de Buenos Aires e os pontos turísticos que conheceu: o Teatro Colón, o Templo Libertad, o Congresso da Nação Argentina, o Luna Park Stadium... O passatempo de Saulo é ouvir seus compositores favoritos: Vivaldi, Tchaikóvski, Schubert, Beethoven e, com mais devoção, Bach e Telemann, que também foram violistas. Atualmente, Saulo pretende cursar a licenciatura em Música ou o bacharelado em Viola, na UFPE. Além da professora Karoline Lira, Saulo tem como referência o idealizador da Orquestra: “Como Dr. Targino fala: a Orquestra não dá esmola, dá oportunidade! Hoje em dia, vejo que a Orquestra é respeitada por todos e, do jeito que a OCC mudou minha vida, pode mudar a de qualquer um!” (CEA)

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