Revista Criança Cidadã - Matérias

Professores OCC

Edição 27 - Setembro/Dezembro 2018

Amilca Aniceto
“Eu via o selo da Orquestra Criança Cidadã por todos os cantos e sempre tive vontade de trabalhar aqui. ‘Deve ser maravilhoso’, pensei. Isso é mágico.” O desejo da professora de Teoria Musical Amilca Aniceto, 34, se concretizou em fevereiro de 2015, quando passou a integrar o quadro de profissionais do Núcleo do Coque. De lá para cá, foi diretamente responsável pelo crescimento e formação de vários alunos. “Uma vez, uma aluna olhou para mim e disse: ‘Professora, eu quero agradecer porque eu só estou aqui graças à senhora’. Aquilo me emocionou demais. Claro que não só fui eu, há vários professores trabalhando. Mas você vê a valorização. Como o nosso trabalho é gratificante”, comenta. A ligação com a música vem desde cedo. Já aos cinco anos de idade, participava do coro infantil na igreja, além de ter tido o primeiro contato com flauta doce: “Sou evangélica e a igreja é um celeiro musical como dizem”. Sua mãe, Maria Elisabete, é formada em Música Sacra pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil (STBNB) e foi sua fonte de inspiração. Em 2009, Amilca obteve a Licenciatura em Música pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e conta com diversas especializações no currículo. Antes mesmo da graduação, ela já dava aulas particulares de instrumentos, como teclado e piano, e teoria. Passou por ONGs, escolas regulares e lecionou no Conservatório Pernambucano de Música (CPM). Desde 2016 é regente do Coral do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE). “O Coral do TJPE estava há 10 anos calado. Parou, passou esse tempo e o Dr. Leopoldo [Raposo], o antigo presidente, em parceria com a ABCC, correu atrás de uma pessoa para poder ficar à frente do grupo”, explica. Casada com o músico Fred Chalegre, com quem espera um bebê, a expectativa é de que a criança enverede pelo universo musical. “É o que a gente mais quer. Que ela passe pela experiência de tocar, conheça, que seja musicalizada. Estamos muito ansiosos. É um bebê muito esperado, muito sonhado”, conclui. (HN)

Nataly Ferreira
Para ela, a musicalização é, ao mesmo tempo, paixão e ofício. Nataly Ferreira, 32, ao lado do professor Jadson Dias, é responsável pelo ensino da Teoria Musical no Núcleo do Ipojuca. De uma família em que muitos membros são envolvidos na música, foi a primeira a se profissionalizar na área. Licenciada pela UFPE no ano de 2013, sua carreira iniciou um pouco antes, com a passagem pelo CPM, onde iniciou os estudos de Canto Erudito, aos 16 anos. “Foi na universidade que tive uma vivência maior com crianças e me identifiquei; acho que elas têm o brilho no olhar ao aprenderem”, elucida. E é justamente com os mais novos que Nataly fica na OCC, além daqueles que precisam de um reforço na parte inicial da musicalização. “Aqui foi a primeira escola específica de música em que passei a lecionar; antes, já era professora de Iniciação Musical em escolas regulares”, conta. Sobre o enfoque do ensino nas instituições, ela diferencia: “Aqui, ensinamos a leitura da partitura para que toquem os instrumentos; nas escolas, a vivência musical se dá com jogos e brincadeiras”. Além de ensinar na OCC Ipojuca e na Escola Encontro, na Zona Norte do Recife, Nataly é regente do coro de adultos e professora de flauta-doce para crianças e adolescentes na Igreja de Deus no Brasil, localizada no bairro recifense do Ibura. Entre as suas memórias positivas no Núcleo do Ipojuca está o desenvolvimento da 1ª turma de novatos — que entrou em 2016 — por considerar um resultado direto do seu trabalho. Profissionalmente, seu próximo passo será cursar uma pós-graduação no ensino da Teoria Musical para o público infantil, ainda não disponibilizada em Pernambuco. Por enquanto, sua atenção está voltada para o primogênito Dominic, nascido no dia 17 de outubro e para o qual já cantava desde o ventre. A defesa do dengo musical com o pequeno vai para além do desenvolvimento físico-motor. “Acho muito importante, também, na socialização do indivíduo”, explica. A professora cita o seu próprio exemplo, para vencer a timidez. (TF)

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