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Edição 27 - Setembro/Dezembro 2018

Um grande atlas da educação musical no Brasil

Programa Brasil de Tuhu realiza pesquisa permanente de mapeamento de projetos sociais de educação musical por todo o país, além da circulação de concertos didáticos

O Guia prático do maestro e compositor Heitor Villa-Lobos, que percorreu o país documentando cantigas populares ainda nos anos 1930 e tinha como sonho ver um Brasil musicalizado, inspirou o programa Brasil de Tuhu, que, desde 2009, vem ampliando e fortalecendo o ensino musical nas escolas brasileiras.

Através de uma abrangente rede de contatos que conseguiu mobilizar, o Brasil de Tuhu realizou um mapeamento nacional de projetos de educação musical, abordando pontos como público atendido, instrumentos e estilos musicais ensinados, financiamento e principais dificuldades, entre outros.

A primeira etapa da pesquisa, realizada entre dezembro de 2016 e março de 2017, foi feita por meio de um questionário de 40 perguntas direcionado para 2040 projetos sociais, dos quais 240 responderam. Vale ressaltar que esse mapeamento não contém projetos feitos no âmbito do ensino regular, por entender que eles obedecem a outro tipo de estruturação.

CONCLUSÃO — Uma parte considerável das instituições ou personalidades gestoras dedica-se apenas a um projeto em educação musical (mesmo que atue também em outras áreas da cultura), geralmente de alcance moderado — tanto em número de beneficiados (até 500 pessoas por ano) quanto do ponto de vista geográfico (mais de 80% dos projetos só atuam em seu próprio município).

O conjunto das respostas, portanto, indica a predominância de agentes de pequeno ou médio porte. Ainda que de pequena dimensão, tais projetos apresentaram ter grande relevância social. A maioria oferece atendimento gratuito e tem como público-alvo os jovens (com pouca ou nenhuma formação musical), grupo social especialmente vulnerável no país.

O predomínio de atividades dos projetos é de concertos e shows didáticos, que, por si sós, têm potencial limitado. Mas chama a atenção a quantidade de propostas em que a formação continuada parece estar em primeiro plano.

Mesmo que os setores de comunicação tenham tido bom desempenho, os resultados que mais surpreenderam a equipe de pesquisadores se referem à captação de recursos. Como o principal critério para levantamento de contatos foram bancos de dados de editais e leis de incentivo, o esperado era que esses mecanismos aparecessem com grande destaque em relação aos demais. O que sobressai, porém, são as captações sem incentivo — e o fato de nenhuma modalidade de captação atingir grandes percentuais.

O peso das doações diretas tem de ser relativizado. Alguns projetos de alcance comunitário recorrem aos moradores do entorno para arrecadar recursos em campanhas esporádicas. Entre os projetos que atingem mais pessoas, leis de incentivo, como a Rouanet, aparecem mais.

BRASIL DE TUHU NA OCC — Em 10 de novembro de 2016, encerrando a turnê nacional que visava a auxiliar na ampliação da educação musical pelo país, a equipe musical do projeto Brasil de Tuhu convidou os alunos do Núcleo do Ipojuca para assistir ao concerto interativo produzido para alunos das redes públicas ipojucana e estadual de ensino.

Liderada pela violinista venezuelana e diretora pedagógica do programa, Carla Rincón, a equipe contou também com três jovens músicos, convidados do Quarteto Radamés Gnattali: Chiara Pinnola, 23 anos (segundo violino), Gabriel Vailant, 22 anos (viola), e Matias Roque, 23 anos (violoncelo).

Após a apresentação, o interesse do Quarteto Radamés Gnattali pela Orquestra Criança Cidadã foi imediato e os músicos do grupo de câmara conheceram as instalações do núcleo da OCC em Camela, onde também ministraram master classes de violino e violoncelo.

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