Revista Criança Cidadã - Matérias

Artigo - Iniciação à clarineta: ensino e aprendizagem

Edição 26 - Maio/Agosto 2018

Os cursos formais de clarineta nas escolas de música da cidade do Recife têm seus primeiros registros no Conservatório Pernambucano de Música, em 1968, seguidos pela Universidade Federal de Pernambuco (1970), Escola Técnica de Criatividade Musical do Recife (1984) e Orquestra Criança Cidadã (2013). Segundo clarinetistas anteriores ao surgimento destas instituições, o ensino da clarineta acontecia entre amigos e familiares nas casas, igrejas e tradicionais bandas de música, na forma de tradição oral. O músico mais antigo, não era necessariamente clarinetista, ensinava ao mais novo e assim difundia o conhecimento sobre o instrumento entre as bandas civis e militares da época.

Sendo a iniciação à clarineta um período de maior atenção à formação da base do aluno clarinetista sobre aspectos técnicos e interpretativos, o professor deve assumir um papel de destaque, pois é dele a responsabilidade de: apresentar a clarineta, seu repertório e possíveis formações musicais; apresentar práticas diárias de estudos técnicos e interpretativos e de apreciação musical que levem o aluno ao aperfeiçoamento na técnica e na interpretação; e ainda instruí-lo quanto às diversas possibilidades profissionais. Este professor deve buscar ampliar sua capacidade técnica e interpretativa junto à clarineta, bem como em aspectos pedagógicos, ciente de que deve ser o melhor exemplo direto para o aluno clarinetista em formação.

Nas escolas do Recife, os professores de iniciação à clarineta são estudiosos que buscam informação e formação sobre assuntos que envolvam uma boa ergonomia ao clarinetista como: postura, respiração, embocadura, mecanismo e emissão sonora. Também, além das áreas musicais, têm se capacitado sobre aspectos sociais e psicológicos para atender melhor ao público com o qual trabalham; têm buscado por livros e repertórios, aliando-se a novos compositores, enriquecendo o repertório clarinetístico local e buscando novos recursos sonoros. Com ajuda das redes sociais, têm estreitado os laços com outros profissionais e se atualizado sobre metodologias de ensino para suas classes, considerando a individualidade de cada aluno; porém as instituições de ensino da música às quais estes professores estão vinculados adotam ainda em seu sistema metodologias do modelo conservatorial de ensino utilizadas no final do século XIX.

Quanto ao programa de ensino, este é elaborado pelo corpo docente de cada instituição. Não são flexíveis, possuem metas com prazos a se cumprir e desconsideram a individualidade no processo didático. Os professores seguem uma mesma linha de conteúdo por processos de aprendizagem e repertórios diferentes, valorizando o fazer musical segundo sua experiência. Há docentes mais alinhados com um método (livro) e repertórios por partituras, assim como há professores que priorizam a educação do ouvido e abolem totalmente o uso de partitura no primeiro ano, primando por aspectos técnicos e interpretativos, pela imitação como processo de ensino-aprendizagem, e somente introduzem a partitura após entenderem como assimilados conteúdos que os mesmos consideram prévios à leitura, como os de ergonomia. Representadas por seus professores de clarineta, o que cada instituição de ensino de Música na cidade do Recife pretende é que, ao final do ciclo que aqui chamamos de iniciação à clarineta, os alunos conheçam bem a clarineta e suas sonoridades, dando seguimento aos estudos.

Diante de tanta evolução no ensino da clarineta nas escolas de música recifenses, e a conclusão de que estes profissionais buscam por atualização, boa qualidade musical e envolvimento com o instrumento. Em oposição, temos o processo de ensino-aprendizagem que segue um modelo tradicional, imposto pelo atual sistema de ensino. Às vezes, este tradicionalismo não atende às demandas pedagógicas da atualidade, sendo um ponto a ser trabalhado nestas instituições.

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