Revista Criança Cidadã - Matérias

O encanto das flautas doces

Edição 26 - Maio/Agosto 2018

A flauta doce tem sido o primeiro contato da maioria dos alunos da Orquestra Criança Cidadã (OCC) com a música, depois das aulas de Teoria Musical e Solfejo. O encantamento é tão grande que muitos deles não querem mais largar o instrumento e passaram a fazer parte do grupo de flautas doces do projeto, o Sonoru’s.
Criado há quatro anos, o conjunto representativo surgiu devido a uma demanda da coordenação pedagógica à época. “Naquele momento, Aline [Ananias, professora de viola da OCC], que era responsável pela coordenação, disse: ‘A gente precisa fazer um recital de flauta’. Em três meses, tive de montar o grupo. Foi um pedido para uma apresentação”, explica a professora Lídia Oliveira, que coordena o grupo.

A primeira apresentação ocorreu em 26 de agosto de 2014, na Caixa Cultural Recife. “No ano em que foi lançado, o Sonoru’s bombou. Era muito lugar para tocar, o grupo foi muito requisitado”, lembra Lídia. Desde então, o conjunto fez diversos concertos, transitando entre o popular e o erudito.

Catorze músicos compõem o grupo: além dos quatro flautistas (que tocam as flautas doces soprano, contralto, tenor e baixo), há instrumentistas de percussão, um violoncelista – Diego Dias – e uma cantora, Wanessa Mouta. A professora também participa e conduz os ensaios todas as quartas-feiras.

Na primeira formação do grupo, os alunos tiveram dificuldade em razão da pouca experiência com o instrumento. “Eles ainda não tinham o manejo e havia uma apresentação muito próxima de acontecer. Aí eles tiveram de se dedicar muito para aprender, a gente gravava a música e eles levavam para casa para estudar”, revela.
A procura é grande pelas aulas de flauta, incluindo os alunos que não estudam mais o instrumento com afinco. “Eles têm sede disso. É um instrumento muito acessível e muito rápido de obter resultado. Até um bebê põe a boca na flauta, sopra e sai som, o que não quer dizer que não seja um instrumento sério. Lógico que exige técnica, treinamento”, ressalta Lídia.

Maria Eduarda Cavalcanti, 16, é contrabaixista da Orquestra Jovem, o conjunto principal da Orquestra Criança Cidadã, mas decidiu seguir em paralelo no Grupo Sonoru’s. “Acho que é por afinidade. Criamos muita afinidade com a flauta no período de aula. A gente sempre estava aplicado, estudando mais”, pontua.
A jovem musicista compõe o Sonoru’s desde que o grupo foi fundado. Nesse período, a proximidade com a professora Lídia aumentou. “Ela é como uma mãe porque a gente acaba passando mais tempo aqui do que em casa. Aí a gente vai criando uma boa relação”, analisa Eduarda.

“Ela é uma boa professora, nos ajuda muito. É como se fosse uma psicóloga (risos)”, completa o violinista João Vitor Azevedo, 15, que também integra o Sonoru’s. Ele credita a evolução no aprendizado musical ao contato que teve com a flauta doce. “Ajudou com a responsabilidade também, além do domínio dos ritmos e da afinação.”
O ensino da flauta doce faz parte da grade de musicalização da OCC. Assim, o instrumento funciona como uma porta de entrada no universo musical. Além do baixo custo e da facilidade de manuseio, a flauta pode proporcionar a quem toca um futuro promissor. “Uma ex-professora minha, Daniele Cruz, tem doutorado em Flauta Doce na França. Isso mostra que o instrumento pode ir muito longe”, destaca a professora Lídia.

Cada vez mais alunos aparecem para fazer parte do Sonoru’s. “Há uma fila querendo entrar e muita gente capacitada”, diz. Para o restante de 2018, existem novos planos. “Pretendemos tocar mais. Planejamos fazer uma apresentação com as flautas transversas e a professora Valdiene Pereira [de canto coral]. O evento já tem nome: ‘Flautas e Bocas’”, conclui a docente.

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