Revista Criança Cidadã - Matérias

Xadrez para o cérebro e para a diversão da criançada

Edição 24 - Setembro/Dezembro 2017

Voluntário Guilherme Cavalcanti repassa conhecimento de jogo milenar aos alunos da sede da ABCC, que desenvolvem o lado prático jogando em tabuleiro e no computador

- Houldine Nascimento

O xadrez é um jogo que costuma exigir dos participantes muita concentração e inteligência. Considerado esporte por alguns, ciência por outros e até visto como uma forma de arte, é inegável seu caráter educativo. No antigo Espaço Cultural e Esportivo Criança Cidadã (ECECC), sede da ABCC, as crianças têm aprendido e praticado o famoso jogo de tabuleiro graças a aulas ministradas por um voluntário: Guilherme Cavalcanti, 66 anos, que começou a repassar aos alunos da ABCC, em outubro de 2016, o conhecimento adquirido quando jovem. O interesse pelo jogo surgiu na adolescência e, ao ingressar no curso de Direito da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), onde se formou, parou de jogar para se dedicar aos estudos e à vida profissional.

Cavalcanti retomou a prática há seis anos. Pela importância do jogo, decidiu promover o ensino a crianças em situação de vulnerabilidade social. “Eu me aposentei há oito anos e imaginei uma atividade em que pudesse fazer terapia ocupacional. Como jogava xadrez na adolescência, então me veio essa ideia de atuar em instituições públicas e ONGs. Tenho ido a essas entidades e tentado transmitir um pouco do conhecimento de xadrez”, explica. Na ABCC Sede, as aulas de xadrez acontecem pela manhã, às segundas, terças, quintas e sextas. As crianças são instruídas em quatro etapas. “Primeiro, eles preenchem uma súmula com os dados e depois vão fazer as jogadas. A segunda parte é a disputa em si. Em seguida, assistem a um vídeo didático e, por fim, jogam xadrez no computador”, detalha.

“As crianças são bem motivadas, demonstram interesse e aprendem rápido. O xadrez desperta a atenção delas por envolver diversas vertentes: é uma atividade recreativa, esportiva, de raciocínio e comportamento”, analisa Cavalcanti, que tem contado com o auxílio do professor de Informática Demison Costa para acelerar o aprendizado das crianças.

Há um ano na ABCC, o aluno José Cabral de Oliveira Júnior, 12, é um dos mais motivados. “Aqui, eu já tive 15 aulas. Joguei com o professor e deu para aperfeiçoar e aprender coisas. Nunca tinha visto o ‘xeque-mate louco’”, comenta. O contato de José Cabral com o xadrez veio antes, na Escola Municipal Maciel Pinheiro, na Torre, em 2013. No entanto, as aulas no projeto estão servindo para melhorar o desempenho. “Eu aprendi xadrez na escola onde estudo. Lá, tinha um professor voluntário. Tinha gente melhor do que eu e agora estou desenvolvendo a atividade”, pontua. Além de xadrez, Cabral aprende violino, informática e teatro na ABCC.

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