Revista Criança Cidadã - Matérias

Os desafios do ensino no ambiente esportivo e musical

Edição 24 - Setembro/Dezembro 2017

Coordenadores pedagógicos falam sobre conquistas e metas nos projetos sociais da ABCC durante esta década. Novas diretrizes da associação dão ênfase ao desempenho e ao progresso assistido dos alunos

- Houldine Nascimento

A educação é um instrumento de inclusão social e formação cidadã. Nos projetos sociais da Associação Beneficente Criança Cidadã (ABCC), este é um lema levado à risca. Prova disso é que os coordenadores pedagógicos da Orquestra Criança Cidadã (OCC) e da ABCC Sede, antigo Espaço Cultural e Esportivo Criança Cidadã, se reúnem com frequência visando à padronização no ensino.

O coordenador pedagógico da OCC Coque, Aldir Teodózio, destaca a importância da integração entre os projetos. “Eu sempre vislumbrei isso. É um desafio ter um padrão, mas respeitando as particularidades de cada aluno. A aceitação está sendo boa”, avalia. O educador está há quatro anos na função, que engloba várias atividades. “Tenho que acompanhar o currículo, o desenvolvimento dos alunos, auxiliar os professores nessa relação, fazer mediação com a direção geral. Fora isso, tenho ajudado os outros coordenadores nos outros núcleos”, comenta.

Para observar a evolução dos alunos, existe uma avaliação de desempenho trimestral, seguindo o padrão de uma escola. A coordenação também se preocupa em dar o retorno aos pais sobre o aprendizado dos estudantes, com reuniões mensais. Teodózio projeta que lidar com a educação em tempo integral será um fator que vai mudar em curto prazo a rotina de atividades da OCC. “O que se aponta no futuro é que 50% das escolas no Brasil passem a ser em tempo integral. A gente vai ter que se adequar.”

O trabalho pedagógico desenvolvido tem dado bons frutos. Em 2015, a OCC foi convidada a concorrer ao selo do Programa de Escolas Associadas da Unesco (PEA). Após preencher os requisitos e submeter a inscrição, a Orquestra teve uma resposta positiva e passou a ser uma das escolas a integrarem o PEA. Além disso, há outras parcerias com unidades de ensino em Pernambuco que proporcionam bolsas aos jovens do projeto, em instituições como Colégio Motivo (ensino médio), CNA (inglês) e Faculdades Integradas Barros Melo — Aeso (ensino superior).

IPOJUCA — Na Orquestra Criança Cidadã dos Meninos do Ipojuca, as atividades ocorrem de segunda a sábado e o maestro Márcio Pereira é o responsável pela coordenação pedagógica. Naquele núcleo, os alunos têm aulas de teoria musical, prática de orquestra, reforço escolar, informática, acompanhamento psicológico, além de três refeições diárias.

Assim como no Coque, os estudantes passam por uma avaliação de desempenho a cada três meses. “Os professores de instrumentos musicais fazem prova de banca, ouvem todos os alunos na parte prática e o professor de teoria também ouve. Da mesma forma, os professores de Informática e reforço escolar também avaliam os alunos”, explica.

Pereira está na OCC Ipojuca desde setembro de 2014, quando foi inaugurado o núcleo numa parceria com a Prefeitura. A localidade escolhida para o projeto foi o distrito de Camela, uma das áreas com menor Índice de Desenvolvimento Humano da cidade. “Nosso maior desafio é fazer com que a própria comunidade enxergue que esse é um projeto social para recuperação. E também fazer que os alunos vejam que no futuro eles podem alçar coisas muito grandes através da Orquestra”, declara.

Para alcançar os objetivos na parte educacional, Márcio conta que sempre buscou trocar experiências com a coordenação pedagógica do Coque. “Desde o início, eu digo que Aldir foi o meu padrinho. Eu não tinha tanta experiência nessa questão pedagógica. No que eu tenho dúvida, ligo para ele para perguntar. Temos uma aproximação muito grande.” Manter uma boa relação com os pais também é importante. “Os pais são muito presentes e a confiança no nosso trabalho é muito grande. A cada dois meses, ocorrem reuniões. Fazemos um levantamento de aluno por aluno e passamos para os pais”, comenta.

NA ABCC — O antigo Espaço Cultural e Esportivo Criança Cidadã, hoje ABCC Sede, passa por mudanças na matriz curricular. Desde setembro, uma nova grade de horário entrou em vigor, acrescentando o aprendizado de caratê para os alunos que não estão na turma de judô. “Isso vai facilitar o trabalho”, analisa a coordenadora pedagógica da ABCC Sede, Mariza Fabrício.

Além da prática esportiva, os educandos aprendem Música — teoria musical, canto coral, flauta doce, violino e violoncelo — e têm acesso a aulas de Informática e reforço escolar. As transformações tomam como base experiências bem-sucedidas na área pedagógica da Orquestra. Há cinco anos no cargo, Mariza pontua que o principal objetivo disso tudo é a formação dos educandos. “Entregá-los bem à sociedade. O projeto visa diariamente à melhoria deles.”

Para entrar no projeto, as crianças têm de estar na rede de escolas parceiras da ABCC. A integração com as unidades de ensino da rede pública também facilita na hora de desenvolver alguma atividade externa, mas as constantes alterações no quadro de profissionais destas escolas por vezes é um entrave para que os alunos compareçam ao ECECC. “O cronograma das escolas é falho e isso atrapalha a vida do aluno”, ressalta.

Para facilitar a comunicação com os pais e responsáveis de alunos, um grupo no WhatsApp foi criado. Para os pais que não têm acesso à internet, o contato ocorre pessoalmente ou por telefone. Mensalmente, há uma reunião para repassar informações sobre atividades que ocorrem no projeto e também a respeito do desempenho das crianças.

Ainda de acordo com a coordenadora pedagógica, uma das maiores dificuldades anteriormente era incluir os alunos em atividades-chave, como o aprendizado de Música. “Passei por uma fase difícil porque antigamente havia professor com resistência em ceder alunos para outras atividades, além de recusar a entrada de novos. Mesmo num trabalho social, você sentia a exclusão. Felizmente, isso não acontece mais hoje.”

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