Revista Criança Cidadã - Matérias

Uma bem-vinda vitrine para novos talentos de todo o Brasil

Edição 23 - Maio/Agosto 2017

Primeira edição do Concurso de Jovens Solistas da Orquestra Criança Cidadã aposta em crescente safra de violinistas e homenageia o compositor, arranjador e maestro Clóvis Pereira.

Carlos Eduardo Amaral.

Em um cenário nefasto na atual cultura nacional, com extinção ou definhamento forçado de orquestras, coros e festivais de música (a ponto de a Orquestra Sinfônica Brasileira, sediada no Rio de Janeiro, ser obrigada a clamar pelo povo em concertos-manifestos, em consequência de mais de um semestre de salários atrasados), coube à Orquestra Criança Cidadã a missão de trazer pelo menos uma notícia alentadora para o universo da música de concerto brasileira – em especial, que alimentasse a esperança dos futuros instrumentistas do país.

Com patrocínio exclusivo da Caixa Econômica Federal, a Orquestra Criança Cidadã promoverá seu I Concurso de Jovens Solistas, aberto a intérpretes de violino de todo país, divididos em duas categorias: A (até 15 anos) e B (de 16 a 21 anos). As inscrições começaram no dia 26 de julho e seguem até 15 de outubro (vide edital no site www.orquestracriancacidada.org.br/concurso).

Nesse período, cada candidato deverá gravar duas peças, dentre as relacionadas no edital, e enviá-las em arquivo(s) de vídeo, em link(s) para download ou para exibição no YouTube ou no Vimeo, com uma declaração oral, antes da execução, de que a performance destina-se à etapa seletiva do concurso. Entre os dias 16 e 20 de outubro, a banca examinadora da etapa seletiva, presidida pelo diretor musical Nilson Galvão Jr., se reunirá para avaliação de todos os vídeos inscritos.

Os cinco ou seis selecionados de cada categoria vão ser convidados para a etapa final, em 29 e 30 de novembro, na sede da Orquestra Criança Cidadã, no Recife, cabendo aos próprios candidatos as despesas decorrentes da presença no evento. As vagas abertas por desistência até o dia 27 de outubro serão preenchidas pelo candidato de classificação imediatamente anterior, garantindo a quantidade mínima de cinco participantes de cada categoria na final.

PRÊMIO – O intuito do concurso é homenagear um compositor de destaque da música pernambucana a cada edição, atribuindo seu nome à premiação de cada categoria e ao de melhor intérprete da peça de confronto definida para o evento, que tem previsão de acontecer bianualmente. O primeiro homenageado será o maestro, compositor e arranjador Clóvis Pereira, que completou 85 anos de vida no último dia 14 de maio e possui um catálogo de cerca de cinquenta obras, incluindo a Grande Missa Nordestina (1977), o Mourão (Variações sobre um tema de Guerra-Peixe) – peça que também leva a assinatura do compositor fluminense – e seus dois concertinos, um para violino (1996-2001) e outro para violoncelo (2003).

“Quando eu estava na universidade [na graduação em Performance e Instrumento pela Universidade Campbellsville, nos Estados Unidos], a gente teve muito contato com compositores vivos, da América Latina, da Europa, vencedores do Grawemeyer... [o mais conceituado prêmio internacional para composições eruditas], não só com a música deles, mas com as partituras”, comenta o maestro Nilson Galvão. “Quando voltei para o Recife, nada disso estava acontecendo. A gente não estava tocando nossos compositores. No passado isso foi muito mais vivo”, acrescenta, ao explicar a escolha do nome de Clóvis para o concurso, por ser uma referência para a nova geração de compositores pernambucanos, tenham ou não o Movimento Armorial como ponto de partida.

Confira outras edições