Revista Criança Cidadã - Matérias

ABCC conduz inédita mudança de gestão

Edição 23 - Maio/Agosto 2017

Desembargador Nildo Nery dos Santos transmite o comando da Associação a Myrna Targino e assume vice-presidência, marcando a primeira transição de diretoria da história da instituição, fundada em 2003.

Paula Passos.

Desde criança, a coordenadora financeira da Orquestra Criança Cidadã, Myrna Targino, é envolvida em trabalhos voluntários. Sua mãe, Graça Salsa, foi a grande responsável por mostrar aos três filhos as diferenças sociais de perto.

“Quando eles reclamavam que o ar condicionado estava quebrado, eu dizia: ‘vamos ali numa creche, pra ver como as crianças estão dormindo no calor’”, contou a matriarca.

Após atuar em diversas funções na Orquestra Criança Cidadã desde a fundação do projeto, em 2006, Myrna Targino assumiu a presidência da Associação Beneficente Criança Cidadã no dia 19 de julho, a pedido do então presidente e fundador, o desembargador aposentado Nildo Nery dos Santos. “Em toda a minha vida eu sempre estive envolvida com o lado social. Acredito que a gente precisa trabalhar para os menos favorecidos. Se não temos dinheiro, podemos dar nosso tempo, ou uma palavra, mas todos nós podemos ajudar alguém de alguma forma”, pontua Myrna.

A arquiteta de formação relembra os primeiros anos da Orquestra, quando precisou desempenhar diversas funções, devido à pequena quantidade de funcionários: “hoje todo mundo quer ajudar, mas no início ninguém queria.

Era muito difícil. Já servi de psicóloga, pedagoga, financeiro, relações públicas. Minha mãe também se doou muito no início do projeto. Chegou um momento que cogitei em ir pedir dinheiro no trânsito, porque estava muito difícil, mas acabou não sendo necessário”.

Myrna Targino relembrou os primeiros patrocinadores e apoiadores do projeto: “Armando Monteiro Neto contribuiu para a aquisição de instrumentos, quando era presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI); a Celpe nos ajudou muito na festa do primeiro ano da Orquestra no Teatro de Santa Isabel; a fábrica da Pilar e a Casa dos Frios doavam alimentos nos primeiros anos; doadores anônimos, que contribuíam com cestas básicas, valores pequenos em dinheiro, que eram de extrema importância naquele início”, conta.

Myrna acredita que esse esforço foi observado por Nildo Nery, nascendo, assim, o desejo de que ela assumisse a presidência. Além de voluntária na Orquestra, Myrna é conselheira do Projeto Anjos, colaboradora da Sociedade Musical 25 de Setembro, de Limoeiro (cidade natal de sua mãe), ex-voluntária na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD) e ocupou a vice-presidência da Associação de Cônjuges de Magistrados do Estado de Pernambuco (Acmepe) na gestão 2008/2009, além de ter recebido distinções da ABCC, da Sociedade Musical 25 de Setembro e do Caxangá Ágape.

LEGADO - “Com a graça de Deus, e ajuda de muitos, o nosso trabalho tem sido profícuo na área de inclusão social, beneficiando milhares de jovens carentes, especialmente no Coque e no bairro do Cordeiro”, comenta Nildo Nery sobre o tempo à frente da Associação.

Engana-se quem pensa que ele vai descansar após a troca da presidência.

“Vou continuar vindo ao projeto três vezes por semana, cooperando com o que for preciso para a nova presidência”, afirma.

“Meu planejamento é que a gente continue o trabalho que vem sendo realizado. A ABCC está indo muito bem e a intenção é dar continuidade ao que tem sido feito”, comenta Myrna. Ronaldo Alves, gerente administrativo da ABCC e coordenador interino do Espaço Cultural e Esportivo Criança Cidadã (ECECC), expressa uma boa expectativa para a nova gestão: “a gente espera um foco especial ao Espaço, que se situa distante da Orquestra, no bairro do Cordeiro, e também que surjam mais ideias para dinamizarmos as atividades e atendermos mais crianças e adolescentes”.

Ronaldo conta também que estão em andamento no ECECC: a conclusão da quadra de judô e da nova sala de informática do Espaço, que abrigará aulas de robótica e reciclagem de lixo eletrônico, em parceria com a Faculdade Marista, além da construção de mais cinco salas no projeto, ampliando o atendimento de 165 para 200 jovens em 2018. Ele acrescenta que a ABCC está preocupada com a inclusão social de pessoas com deficiência – atualmente, dois beneficiários autistas e dois surdos já frequentam o Espaço – e deseja programar a requalificação em libras de todos os funcionários da sede da ABCC no próximo ano.

NILDO NERY – Natural de Goiana (PE), começou a atividade judicante em 1958, quando terminou o curso de Direito na Faculdade de Direito do Recife (FDR) pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), aos 24 anos. Ainda em 1958, viajou para a Europa e teve experiência no Max Planck Institute (Alemanha) e no Sistema Penitenciário Europeu, especificamente em Portugal, na Espanha, na Alemanha e na Itália.
Em Pernambuco, foi juiz de Direito das Comarcas de Condado, Quipapá, Garanhuns e da 2ª Vara do Júri do Recife; juiz corregedor das Comarcas de 2ª Entrância; desembargador-presidente da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Pernambuco; desembargador-presidente da Seção Criminal; vice-presidente e presidente do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Realizou sistema de mutirões para agilizar a resolução de processos e criou o primeiro Centro de Justiça Terapêutica, para réus com problemas mentais.

Nildo Nery também já foi diretor-geral da Escola Superior da Magistratura de Pernambuco (Esmape), diretor-adjunto da Escola Nacional da Magistratura e professor convidado da UFPE. Recebeu 16 vezes o Título de Cidadão, por diversos municípios, além de prêmios internacionais como: Honra ao Mérito da República Italiana (1983), Membro Honorário do Programa Internacional de Treinamento Judicial do Centro Internacional Dean Rusk, Formação em Estudos Jurídicos e Comparados no Instituto de Educação Continuada Judicial da Escola de Direito (2002), Medalha do Mérito Judiciário (2004) e Comenda de Mérito José Mariano (2017).

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