Revista Criança Cidadã - Matérias

Dois anos de esperanças renovadas e sonhos realizados

Edição 22 - Janeiro/Abril 2017

A extensão da Orquestra Criança Cidadã no município do Ipojuca, inaugurada no distrito de Camela em 2014, já colhe bons frutos de sua atuação

- Tamíz Freitas

Quanto vale a realização de um sonho? Fica difícil mensurar seu valor simbólico, seja ele na implantação de um projeto social, na abertura de horizontes através da música ou num intercâmbio no exterior. O fato é que todas essas conquistas aconteceram e a Orquestra Criança Cidadã Meninos do Ipojuca teve uma parcela de contribuição na mudança da vida de dedicados jovens daquele município. Há dois anos e meio, no distrito de Camela, em Ipojuca, a extensão veio como uma saída para livrar crianças e jovens das drogas e tem nutrido a esperança no futuro de cada um dos 100 beneficiados, de suas famílias e de todo o corpo de funcionários.

Um dos envolvidos na implantação da unidade, em setembro de 2014, foi o secretário municipal de Juventude e Esportes, Miqueias Silva, que fez questão de valorizar o empenho de todos no “sonho compartilhado”. “Se não fosse o sonho do juiz João Targino, do prefeito Carlos Santana e da deputada Simone Santana, não estaríamos comemorando dois anos daOrquestra no Ipojuca”.

Aliás, o sonho permeia outras cabeças. Edivaldo Cavalcanti, ainda na função de gerente do núcleo do Ipojuca (ele foi substituído por Eliude Braz após assumir a gerência do núcleo do Coque, em fevereiro) teve a oportunidade de viajar pela primeira vez de avião para Nova Iorque, ao lado de quatro alunos do projeto, algo que nunca imaginou. A relação criada, de amizade e quase parentesco, também ficou na memória. “Alguns dos alunos que não têm mais pais já chegaram a dizer que eu ocupei esse espaço pelos conselhos e cuidados prestados. E esse é o nosso trabalho, de não só vê-los tocando, mas de contribuir para o bem deles”, emociona-se.

Em pouco mais de dois anos, é notável o desenvolvimento dos músicos no Método Suzuki. “Entre as nossas conquistas está a de vê-los executando um repertório de alto nível técnico. A Orquestra veio para somar no município”, comemora o maestro e coordenador pedagógico Márcio Pereira. A evolução no comportamento também é algo a se destacar, como aponta a auxiliar pedagógica do projeto, Herlange Lira: “A cada apresentação, percebemos que a disciplina e o comportamento deles melhoram”.

Do lado dos estudantes, também só resta agradecimento. A violinista Alcione Nunes, 15, diz que a Orquestra a trouxe um aconchego semelhante ao da figura materna. “Quando estou tocando meu violino, acontece algo sobrenatural, que não consigo explicar em palavras, apenas sentir e agradecer”, elabora.

Para honrar todas essas vitórias, a comemoração veio em dose dupla, primeiro em setembro último, quando profissionais e alunos tiveram um dia de lazer proporcionado pelo casal Joanna Dark e Johann Schwarz na sua casa de eventos, a Villa Trinidade, em Sirinhaém. O concerto de aniversário, no dia 20 de dezembro, veio encerrar a celebração dos dois anos de atividades com o espetáculo “Ipojuca – Natal de Voz e Música – Ano III”, na Quadra Poliesportiva José Salgueiro de Amorim, em Camela.

O intercambista Marvson Arouxa, 15, retornou do Canadá no início de fevereiro, após um semestre de estudos, e definiu sua experiência musical como viver e sonhar ao mesmo tempo. “Quando a gente é criança, sonha sem barreiras e acredita que vai se realizar porque alguém vai acreditar e investir no nosso sonho. No meu caso, quem também me ajudou a realizar meu ideal foi a Orquestra Criança Cidadã”, reconheceu. Depoimentos como o de Marvson corroboram a ideia do tal “sonho compartilhado”, fortalecendo dia a dia a esperança no amanhã de cada um desses alunos.

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