Revista Criança Cidadã - Matérias

A união do ecletismo à juventude e ao talento

Edição 22 - Janeiro/Abril 2017

Estimulados pelo programa de música de câmara da direção musical do projeto, conjuntos de cordas da Orquestra Criança Cidadã buscam sucesso no cenário musical recifense.

- Carlos Eduardo Amaral (colaboração: Paula Passos)

Com a maior parte dos alunos da Orquestra Criança Cidadã dedicada ao aprendizado de instrumentos de cordas, era natural que surgissem grupos de câmara que agregassem jovens violinistas, violistas, violoncelistas e contrabaixistas. Em 2017, três desses grupos estão em plena atividade, construindo identidades, planos, projetos e buscando se inserir no mercado musical da capital pernambucana: o Quarteto Overture, o Quarteto Groovy e o grupo Risoflora.

O Quarteto Overture nasceu em 2015, unindo quatro amigos da OCC que já tocavam juntos em outras orquestras, casamentos e festas de debutantes: Yuri Tavares (1° violino), Eduardo Silva (2° violino), Alexsandro Castro (viola) e Diego Dias (cello). O foco do quarteto é no repertório standard (barroco, clássico e romântico), mas também com uma lista já pronta de músicas mais populares, conforme o gosto da plateia e a formatação do evento.

“A gente vem com um projeto, desde o ano passado, de ensaiar mais e se inscrever em festivais. Há contratempos por conta dos horários da universidade. Mas este ano a gente vai trabalhar para que aconteça mesmo, não importando se tenha cachê ou não. O que importa é tocar. A gente quer divulgar mesmo o quarteto”, conta Yuri. Em 2017, o Overture está ensaiando regularmente toda semana, no turno da noite.

O Quarteto Groovy nasceu no final de 2014 e é formado por: Silverson Henrique (1º violino, substituindo Samuel Oliveira, da formação original), André Luiz (2º violino), Gabriel Francisco (viola) e Gabriel David (violoncelo). A ideia inicial do Groovy era fazer música popular e regional, mas o quarteto acabou imergindo nos desafios do repertório erudito, especialmente em peças de Haydn, Mozart e Smetana.

Já cantores pop como Ed Sheeran e Christina Perri fazem parte do programa das apresentações em casamentos. Atualmente, o Groovy (“legal”, “maneiro”, em inglês) toca em qualquer tipo de evento privado e está passando por uma reestruturação para definir os planos para 2017, entre eles o repertório, a identidade visual e o conceito artístico. “Talvez, a gente foque mais no clássico, porque é mais completo e Recife está precisando de um grupo assim”, afirma Gabriel Francisco. Ele diz que os colegas já estão ensaiando o Quarteto n° 4 de Beethoven, com essa finalidade.

A Orquestra Criança Cidadã contava com mais um quarteto de cordas em 2016: o Quarteto Ipojuca, liderado por João Pedro Lima. O 1° violino do grupo explica que preferiu encerrar o quarteto para dar andamento a uma produtora cultural, a Ipojuca Classic Produções, que irá gerenciar músicos de câmara conforme o pedido dos clientes.

Os quartetos Ipojuca, Groovy e Overture se apresentaram na Caixa Cultural Recife em setembro de 2016, quando ainda eram grupos representativos da OCC, e uniram-se para executar o Concerto de Brandemburgo n° 3 de J. S. Bach, na segunda parte do concerto. A primeira parte reuniu o Divertimento em ré maior e o Quarteto de cordas n° 3 em sol maior, de Mozart, com o Quarteto Ipojuca; o Quarteto de cordas em fá maior nº 12, op. 96 “Quarteto americano”, de Dvorák, com o Groovy; e o Quarteto de cordas n° 3, op. 59, de Beethoven, com o Overture.

A existência desses grupos se deve ao estímulo do maestro Nilson Galvão Jr., que, ao tornar-se regente e diretor musical da OCC, em 2014, implantou um programa de música de câmara, coordenado por ele e pelo professor de violino Clóvis Pereira Filho. “Os músicos da Orquestra hoje são obrigados a formar grupos de câmara. Era uma lacuna quando cheguei ao projeto”, rememora Nilson, que espera que os músicos futuramente possam contar com instrumentos mais avançados.

FLOR DO MANGUE – O Risoflora é um grupo de cordas, voz e percussão formado por alunas da Orquestra Criança Cidadã cujas histórias são indissociáveis da música. Elas foram alfabetizadas musicalmente no projeto e uniram-se com o propósito de fazer arte e valorizar a riqueza cultural do Nordeste. O conjunto, cujo nome foi inspirado pela música homônima de Chico Science & Nação Zumbi, exalta ainda a importância do empoderamento feminino na música, ocupando espaços historicamente dominados pelo universo masculino.

O grupo, que pretende lançar o primeiro CD em 2018, caso o projeto seja aprovado em editais de incentivo cultural, reúne: Calini Brito (1° violino), Kaylla Duarte (2° violino) Letícia Ferreira (viola), Amanda Lopes (cello), as percussionistas Micaelly Cristina (violinista que fez questão de entrar no grupo, mesmo na percussão) e DanniellyYohanna (convidada), e a cantora Wanessa Mouta (voz e percussão, vide Revista Criança Cidadã n° 21). “O futuro do Risoflora, eu já vejo: a gente em uma turnê pelo Nordeste e, mais à frente, pelo Brasil. A gente tem de sonhar alto para trabalhar e conseguir grandes feitos”, diz Wanessa, feliz pelo trabalho da equipe.

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