Revista Criança Cidadã - Matérias

Conhecendo a percussão da OCC

Edição 21 - Setembro/Dezembro 2016

A cena mais comum no cotidiano da Orquestra Criança Cidadã são alunos tocando seus instrumentos, em todos os lugares possíveis: debaixo das árvores, no meio dos corredores, até mesmo dentro dos banheiros. Porém, alguns alunos são mais barulhentos e demorados que os outros: os que ficam tocando caixa ao ar livre, às vezes na porta de sua sala. Eles integram o Núcleo de Percussão da OCC, criado em 2012 junto com o Núcleo de Sopros, que vocês conheceram na edição anterior da Revista Criança Cidadã.

Com 18 alunos matriculados, cinco no turno da manhã e 13 à tarde, o Núcleo de Percussão é coordenado pelo professor Enoque Souza, que começou a dar aulas de bateria e percussão na Orquestra Criança Cidadã em fevereiro de 2010, quando ainda estava cursando a licenciatura em Música na UFPE e ministrava cursos de capacitação eventuais. Ele substituiu o professor e percussionista Dírney Pacífico Tavares, seu colega na OSR, e hoje se diz satisfeito com suas duas principais atividades: ensinar na OCC e tocar na Sinfônica.

O professor – que, com a Orquestra Sinfônica do Recife, já tocou ao lado de nomes consagrados da MPB, como Ivan Lins, Sivuca, Lenine, Francis Hime e Paulo Moura – enfatiza que todos os seus alunos da OCC que prestaram vestibular para a Universidade Federal de Pernambuco passaram com as notas mais altas para o bacharelado, a exemplo de João Carlos da Silva e José Emerson Rodrigues. Ele ressalta que pegou os alunos mais antigos com um bom nível, preparados por Dírney, e manteve o encaminhamento para adentrarem no curso superior de Música.

Enoque começou sua atuação musical na Banda Sinfônica da Cidade do Recife, onde fez cachês de 1996 a 1999. Nesse ano, passou no concurso aberto pela banda e tornou-se chefe de naipe (músico principal de uma seção de instrumentos; no caso, da percussão). Em 2003, o professor foi aprovado em concurso da Orquestra Sinfônica do Recife e desligou-se da BSCR, assumindo depois o posto de assistente de naipe da percussão da OSR.

APARATO INSTRUMENTAL – Os alunos de percussão da Orquestra Criança Cidadã dispõem de um set com diversos instrumentos de percussão, onde novas baterias, uma para o Núcleo de Percussão, outra para o Núcleo Popular, coordenado pelo professor Manassés Bispo.

Agora, o desafio é fechar uma parceria com uma fábrica de instrumentos para adquirir o aparato completo de percussão sinfônica, que atualmente tem de ser requisitado por empréstimo ao Conservatório Pernambucano de Música ou à Universidade Federal de Pernambuco, quando necessário. Isso inclui: bombo, carrilhão de sinos tubulares, marimba, vibrafone com motor, gongo chinês, conjunto de cinco tímpanos, glockenspiel e as respectivas baquetas, além de pratos de choque.

Os alunos do Núcleo de Percussão cumprem, segundo o professor Enoque, 70% do conteúdo de leitura rítmica na caixa (às vezes substituída pela bateria eletrônica), adquirindo a prática e a assimilação de padrões rítmicos em nível progressivo; o restante do conteúdo é dividido entre tímpanos, que são os instrumentos mais utilizados na percussão sinfônica (o timpanista, numa orquestra, é o chefe de naipe de toda a percussão); xilofone, cuja técnica se aplica para os demais instrumentos de percussão com placas (os quais incluem marimba, vibrafone e glockenspiel); e bateria, que possui um método pedagógico próprio.

Thierry Santos, de 18 anos, é um dos 10 monitores da OCC no Núcleo do Coque. Ele entrou na Orquestra em 2009, quando uma amiga da vizinhança contou a ele que iria fazer o teste de admissão. “Viemos eu, meu irmão e duas primas. Somente eu passei”, conta Thierry, que planeja prestar vestibular para licenciatura em Música e cujo irmão Vinícius acabou ingressando na Orquestra em 2013. “Prefiro percussão popular, porque a execução é mais livre”, acrescenta Thierry, que estuda teoria musical com as professoras Janaína Mendes e Manassés Bispo.

Professor Enoque frisa que o grupo Contratempo, coordenado por ele e formado por alunos do Núcleo, dá atenção a obras nacionais e já trabalha a percussão corporal, em que os instrumentistas usam o próprio corpo – execução que exige avançada coordenação motora. O docente agradece ainda o apoio interno dos colegas da Orquestra: “Alguns maestros reconhecem a importância da percussão sinfônica, Nilson (Galvão Jr., diretor artístico e regente) é um deles”. Ele também cita a professora Aline Ananias, antiga coordenadora pedagógica e atual professora de viola, que estimulou a criação dos núcleos de sopros e percussão, para o desenvolvimento da prática de conjunto na OCC.

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