Revista Criança Cidadã - Matérias

O primeiro ano de uma música feita para todos

Edição 21 - Setembro/Dezembro 2016

Criado em 2015, o projeto da EBrasil Energia, uma das patrocinadora da Orquestra Criança Cidadã, leva música para quem não pode ir até ela, proporcionando inclusão social com arte e solidariedade

Entre corredores de leitos hospitalares e em meio à reclusão de centros de detenção juvenil, já se pode ouvir a música ecoando, levando conforto. Como um quadro inacabado, as notas vão colorindo o ambiente e lembrando às pessoas que lá estão o fato de elas ainda continuarem vivas e podendo perceber a sua própria humanidade.

Essa é a sensação que o projeto Música para todos passa ao público seleto, atendido pela iniciativa. O projeto, idealizado pela empresa EBrasil Energia, um dos patrocinadores da Orquestra Criança Cidadã, tem o objetivo de levar o poder da música para pessoas que estão internadas em hospitais, abrigos e unidades de ressocialização para menores infratores, e que, por esse motivo não conseguem ir a uma apresentação musical em teatros, ou ao ar livre.

Desde junho de 2015, o Música para todos atendeu 16 instituições do Recife e Região Metropolitana, e pretende expandir esse número em 2017. A diretora de responsabilidade social da EBrasil, Mary Cantarelli, conta como começou a sua relação com o atendimento social. “Sempre carreguei comigo uma vontade imensa de ajudar as pessoas que estão em situação de vulnerabilidade.

Antes de implantar um setor específico de responsabilidade social na EBrasil, eu já fazia algumas ações para ajudar a melhorar a vida das pessoas. Mas foi há 11 anos que iniciei o primeiro projeto social na cidade de Belém de São Francisco, no Sertão pernambucano.

Depois de assumir esse compromisso, vi que eu poderia fazer mais e assim passei a planejar e incentivar outros projetos”, relembra.

A especialista em projetos sociais da EBrasil Energia, Marília Simas, acompanha as edições do projeto e faz um balanço desses meses de atuação. Em sua opinião o maior legado que a iniciativa deixa é a transformação do dia a dia das pessoas que estão institucionalizadas.

“A cada apresentação percebemos que o projeto tem uma importância muito grande, não somente para quem está recebendo a visita dos jovens, mas também para todos aqueles que se envolvem, da produção até a execução. Desde a implantação do Música para todos, percebo que ainda estamos carentes de outras iniciativas que atendam ao público que nós atingimos e vejo que as ações que realizamos são um caminho para uma transformação social mais abrangente”, comentou Marília.

RESPONSABILIDADE SOCIAL – Adotar posturas que promovam o bem-estar do público interno e externo, de forma voluntária, é a principal forma de trabalhar a responsabilidade social dentro de uma empresa. Diferentemente da filantropia - que é basicamente uma ação social externa, tendo como beneficiária a comunidade – a responsabilidade social engloba preocupações com um público maior, como acionistas, funcionários, consumidores, comunidade etc.

Entre os projetos implementados e patrocinados pela EBrasil Energia estão: a Orquestra Criança Cidadã; o Ponto Cidadão, que tem como objetivo capacitar jovens e inseri-los no mercado de trabalho; a Fundação Edmilson, que deu início às atividades realizando o treinamento dos professores de futebol para que, em 2017, comecem as atividades do projeto com os jovens; e, em Belém de São Francisco, o Centro de Integração Social e Cultural José Cantarelli, entidade que atende 24 crianças com necessidades especiais e abriga outros projetos como o Jovem Cidadão e o Baile Reviver.

O presidente do grupo EBrasil, Dionon Cantarelli, acredita que o setor de responsabilidade social da empresa trouxe enormes contribuições para os colaboradores e a sociedade de um modo geral.

Ele afirma que a empresa tem conseguido fazer a diferença na vida de muitas pessoas. “A EBrasil prioriza ações que sejam sustentáveis, ou seja, que são mais longas e transformadoras. Apoiamos iniciativas que incentivam a promoção da cultura, saúde, esporte, lazer, educação e profissionalização. Cremos também na construção de um futuro melhor e possível, quando cada pessoa, organização ou instituição passar a se preocupar com o próximo e assumir o compromisso de investir no social”, aponta o empresário.

PÚBLICO SELETO — Todas as edições do projeto Música para todos promoveram trocas de experiências, através da arte, entre público e instrumentistas, após pacientes e internos de hospitais, abrigos e unidades de ressocialização assistirem a sessões musicais exclusivas protagonizadas por grupos representativos da Orquestra Criança Cidadã.

Em outubro de 2015, um quinteto de cordas da OCC tocou para os socioeducandos da Fundação de Atendimento Socioeducativo de Pernambuco - Funase/PE. A visita da Orquestra foi bastante esperada pelos jovens, que decoraram o pátio da unidade de internação com bolas de sopro e organizaram as cadeiras em fileiras para se acomodarem em plateia.

O menor E. S., 17 anos, foi apreendido por assassinato e vai cumprir pena até 2018. Durante o evento, o socieducando pode receber um pouco de carinho a partir das notas musicais. “Estou muito arrependido pelo que eu fiz. Quando sair daqui vou dar um rumo na minha vida. Eu nunca tinha visto uma apresentação com essas músicas. Achei muito boa, elas trazem esperança para a gente. Nós lembramos que somos humanos”, revelou o menor. Ainda no mesmo ano, no agitado hall de recepção do Pronto-Socorro Cardiológico

Universitário de Pernambuco - Procape, era possível ouvir “parabéns” e “olha que coisa maravilhosa” vindos da plateia surpresa e atenta. Angelita Maria da Silva, 68, aguardava para ser atendida.

“Esses meninos são aqueles que foram tocar para o Papa, né? Eu adoro música! Estou aqui para fazer tratamento e já sinto meu coração um pouquinho melhor com isso”, comentou, com a energia e o sorriso de quem não se entrega a doença nenhuma.

O projeto Música para todos continua marcando pessoas por onde passa e, para a diretora de responsabilidade social da EBrasil, Mary Cantarelli, a expectativa é que o projeto ganhe força e consiga ser ampliado: “Espero que outras pessoas se engajem para dar acesso a muito mais instituições. Seria muito bom recebermos mais convidados, músicos e artistas nessa iniciativa para trazer alegria para tantas pessoas que precisam”.

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