Revista Criança Cidadã - Matérias

Entrevista - “O judiciário é indispensável na promoção da cidadania”

Edição 20 - Maio/Agosto 2016

Lutar pela justiça social foi o objetivo principal da carreira do desembargador Nildo Nery. Ao longo de 82 anos de vida, o magistrado desenvolveu várias iniciativas para melhorar a realidade dos menos favorecidos: reforçou o sistema de mutirões para agilizar a resolução de processos; criou o primeiro Centro de Justiça Terapêutica, auxiliando réus com problemas mentais; e idealizou o Programa Criança Cidadã, que viria a se transformar na ABCC. Natural de Goiana, Nildo Nery, começou a carreira como datilógrafo, através de um concurso no Tribunal de Justiça de Pernambuco, formou-se na Faculdade de Direito do Recife, foi secretário geral do TJPE e atuou como juiz durante sete anos pelo interior de Pernambuco. O magistrado concluiu a pós-graduação em Direito Público na Universidade Católica de Pernambuco, onde tornou-se professor de Criminologia, e após 28 anos como juiz, Nildo Nery, foi nomeado desembargador em 1990, eleito vice- presidente entre 1994 e 1995 e presidente de 2000 a 2001, no TJPE.

O senhor acredita que todos os seres humanos podem ser melhores pessoas?

Sim. Acredito que todo ser humano é criatura do Pai Eterno, podendo a qualquer tempo alcançar a conversão.

O que o levou a ter um olhar misericordioso para com os detentos, crianças carentes e moradores de rua, que o acompanhou em toda a sua trajetória?

Em 1957, ingressei no quadro funcional do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Lá, conheci o desembargador Rodolfo Aureliano, um homem exemplarmente misericordioso. Ele me orientou a participar da Organização do Auxílio Fraterno, onde dei os primeiros passos para ajudar aos carentes.

O que o Judiciário pode fazer pelo social e pela promoção da cidadania?

O Judiciário é indispensável na promoção da cidadania. O prêmio Innovare, por exemplo, anualmente, destaca as práticas sociais mais relevantes exercidas pelos magistrados brasileiros.

O senhor ainda tem sonhos a realizar?

A sabedoria de vida consiste em semear sempre. Reconheço que meu desempenho hoje se encontra prejudicado pela saúde e pela idade avançada, sobrecarregando os meus companheiros de missão, principalmente os juízes João José Targino e Paulo Brandão.

Qual o balanço que o senhor faz desses quase 15 anos de Associação?

A ABCC foi instituída com o propósito de cuidar das crianças em situação de vulnerabilidade. Os esportes e a música foram os instrumentos escolhidos para atrair os jovens, rumo à verdadeira cidadania. Se, no esporte, a Olimpíada Criança Cidadã tem alcançado excelentes frutos, sucesso maior tem sido
obtido na música. A Orquestra Criança Cidadã, instalada nas dependências do quartel do 7º Depósito de Suprimento do Exército, no Bairro do Cabanga, com o apoio de importantes parceiros, vem obtendo reconhecimento internacional e conquistando significativos prêmios. O Núcleo do Ipojuca, com dois anos de atividade também já se apresenta com eficiência. Os apoios e as importantes parcerias têm sido o trunfo do sucesso.

Qual a mensagem que o senhor tem a deixar para os alunos da Associação e da Orquestra?

Para os alunos da ABCC e da Orquestra, deixo a seguinte mensagem: a melhor forma de alcançar a verdadeira felicidade é fazer o bem ao próximo. Aos demais funcionários, colaboradores e patrocinadores, desejo que o Espírito Santo ilumine a todos para que possam continuar contribuindo com a integração de jovens vulneráveis em uma sociedade sadia.

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