Revista Criança Cidadã - Matérias

Coluna - Uma futura década de conquistas

Edição 20 - Maio/Agosto 2016

A Orquestra Criança Cidadã nasceu, sob a égide da Associação Beneficente Criança Cidadã, em 2006, dentro do terreno do 7° Depósito de Suprimentos do Exército, onde encontra-se até hoje. Estive presente naquele dia, como crítico musical em início de carreira, e vi Gilson Cornélio Filho, violinista que aos dois anos de idade perdera o pai, vítima da violência urbana, tocar uma fantasia de Cussy de Almeida, primeiro regente da Orquestra, sobre o tema do Carinhoso de Pixinguinha, sob os olhares de Dr. Nildo Nery, Dr. João Targino, e da imprensa. De lá para cá, a Orquestra Criança Cidadã floresceu, como foi recapitulado nas páginas anteriores, e agora busca traçar uma nova década de desafios.

O primeiro deles é transformar-se em uma orquestra sinfônica plena, com as quatro seções completas. Atualmente, a Orquestra Criança Cidadã apresenta-se com cordas e, eventualmente, percussão. As quatro madeiras – flautas, oboés, clarinetas e fagotes – realizam (com as trompas) concertos à parte como Grupo de Sopros da OCC, enquanto não se integram à Orquestra em definitivo; falta apenas atingirem o mesmo nível técnico já atingido pelos dois naipes anteriores. Falta apenas a seção completa dos metais, abrindo-se turmas de trompete, trombone e tuba, para se agregarem às trompas.

O segundo é construir um ateliê de arqueteria, tanto para complementar o ensino oferecido pelo ateliê de luteria, quanto para manter vivos no Brasil esses raros ofícios, bem como, sobretudo, para formar profissionais que atendam a demanda dos instrumentistas dos diversos grupos e escolas musicais de Pernambuco e do Nordeste. E, a contar pelo que vocês puderam ler na matéria sobre manutenção de instrumentos de sopros, vai chegar a hora em que a Orquestra Criança Cidadã terá de abrir caminhos nessa direção também.

O terceiro desafio, o mais grandioso de todos, está na construção da Sala de Concertos Criança Cidadã, que já possui terreno e um projeto arquitetônico e acústico de alto nível. A sala, com capacidade para mais de 800 espectadores, também abrigará uma nova unidade de ensino de música do Núcleo do Coque. Faltam apenas parceiros para aportar recursos: é um empreendimento que custara cerca de 60 milhões de reais. Quando construído, porém, o espaço poderá abrigar concertos de música de câmara e sinfônica de grupos de ponta do mundo inteiro e colocará o Recife na rota contínua dos grandes nomes da música erudita mundial.

Por falar em parcerias, a ABCC, este ano, fortaleceu os laços institucionais com gestores e dirigentes das empresas e instituições que patrocinam ou apoiam os projetos da ABCC: o Espaço Cultural e Esportivo Criança Cidadã, a Olimpíada Criança Cidadã e a Orquestra Criança Cidadã. A demonstração de seriedade e
de resultados alcançados pela Associação vem garantindo sempre a confiança dos parceiros e o crescimento dos três projetos.

Por fim, fica o convite para o concerto comemorativo dos 10 anos da OCC, dia 02 de setembro, no Teatro Luiz Mendonça, do Parque Dona Lindu, no Recife. Será a oportunidade de o público pernambucano
conhecer de perto a célebre virtuose japonesa Yoko Kubo, que se tornou tão falada devido à divulgação do álbum gravado com a Orquestra Criança Cidadã em Roma, matéria de capa da última Revista Criança Cidadã.

Yoko tocará, ao lado da OCC, um dos seis concertos para violino e orquestra do maior dos compositores e intérpretes do instrumento, Niccolò Paganini (1782-1840), músico no qual a violinista nipônica se especializou nos anos 1960 e 1970. Na ocasião, a Orquestra interpretará também a Sinfonia n° 9 do tcheco Antonin Dvorák, conhecida como “Sinfonia do Novo Mundo”, que simboliza muito bem o novo mundo que os antigos Meninos do Coque, e do Ipojuca, querem edificar através da música.

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