Revista Criança Cidadã - Matérias

Esporte - Olimpíada Criança Cidadã movimenta escolas da rede estadual

Edição 20 - Maio/Agosto 2016

Duas semanas de competição. Esse foi o tempo de duração da Olimpíada Criança Cidadã, cujas disputas começaram no dia 06 de junho e seguiram até o dia 17 com a participação de 20 escolas da Rede Estadual de Ensino da Região Metropolitana do Recife, integrantes do projeto Escola Legal, que presta assistência a jovens em situação de vulnerabilidade social. As modalidades esportivas incluíram: vôlei, futsal, basquete, handebol, queimado, damas, xadrez e dominó - todas disputadas na quadra de esportes da Universo por cerca de 1,2 mil alunos, entre 14 e 17 anos. A exceção ficou para o atletismo, que teve as competições realizadas no Centro Esportivo Santos Dumont, na localidade de Setúbal. A novidade deste ano foram a inclusão do futsal feminino e a participação de 30 alunos com algum tipo de deficiência nos jogos de mesa.

Na abertura do evento, integrantes do Grupo Girassol, da Escola Estadual Professora Suzel Galiza, de Limoeiro, fizeram uma apresentação musical no hall da Universo, bairro da Imbiribeira. Após repertório junino e desfile das 20 escolas estaduais, o narrador esportivo e apresentador Rodrigo Raposo chamou os integrantes da mesa de trabalhos, que fizeram as considerações iniciais da cerimônia. Oito nomes compuseram a mesa: Diogo Ferreira, Diretor Geral da Universo Campus Recife; Ubirajara Tavares, diretor comercial da Universo Campus Recife e diretor de Esportes da ABCC; Ana Selva, secretária executiva de Desenvolvimento da Educação; Fernando Dourado, da Secretaria de Enfrentamento ao Crack e outras drogas da Prefeitura do Recife; Paulo Brandão, Juiz da Vara da Infância e Juventude; Diego Pérez, secretário executivo de Esportes e Lazer de PE; Alice Chagas, gerente geral de assuntos estratégicos da Secretaria de Desenvolvimento Social, Criança e Juventude de PE; Ricardo Rocha, presidente da Federação Pernambucana do Desporto Escolar (Fedepe), e Iuri Cordeiro, presidente da ONG Ajuda PE.

Antes das falas, um quinteto de cordas da Orquestra Criança Cidadã tocou os hinos nacional e de Pernambuco. Após os discursos, Jorge Luna e Fernando Silva, atletas do vôlei da Universo, ex-alunos da Escola Estadual Fernando Mota, descobertos na Olimpíada de 2015, fizeram o juramento do atleta. Por fim, Luís Silva, maior medalhista paraolímpico do Estado, com sete medalhas na natação, nas Paraolimpíadas de Sidney, Atenas e Pequim, e Oséias Silva, aluno da ABCC, representante de PE no Brasileiro de Judô sub 13, em outubro, na Bahia, acenderam a chama olímpica.

COMPETIÇÕES - Durante as competições, muita torcida para as escolas. A final do futsal masculino deixou a professora de Educação Física Ana Cláudia Silva, da Escola Estadual Fernando Mota, em Setúbal, nervosa. “Participar da Olimpíada é uma conquista, porque proporciona a socialização. Eles voltam para a escola muito mais entrosados e comprometidos com o esporte, que é uma ferramenta para também tirar os alunos das drogas”, contou a educadora, que não parou de torcer um só instante. “Eu fico muito nervosa, porque eles merecem a vitória, foram muito dedicados”, acrescentou.

No primeiro jogo, a Escola Estadual Frei Jaboatão jogou contra a Escola Estadual Frei Jaboatão CASE (Centro de Atendimento Socioeducativo). Quem levou a melhor foram os meninos do CASE, com um placar de 2x0. No segundo jogo, foi a vez da Escola Estadual Maria do Céu e da Escola Estadual Fernando Mota correrem atrás do título, com o escore de 5x2 para a Fernando Mota. O terceiro lugar foi decidido nos pênaltis entre a Frei Jaboatão e a Maria do Céu: empate de 3x3, com vitória da Maria do Céu nas penalidades, por 3x1. Na final, muito aguardada por todos, a disputa entre a Fernando Mota e a Frei Jaboatão (CASE). Empate no primeiro tempo: 1x1. No segundo tempo, Fernando Mota embalou e garantiu o bicampeonato por 5x1. No futsal feminino, as meninas da Escola também foram campeãs.

Ubirajara Tavares, diretor de esportes da ABCC e da Universidade Salgado de Oliveira (Universo), parceira da Olimpíada Criança Cidadã, destacou a importância do evento. “É uma oportunidade que eles têm. Neste ano, estamos de olho em dois garotos do futsal masculino para ofertarmos bolsas de estudo aqui na Universidade”, disse. Ubirajara ratificou ainda a importância do esporte para a formação do cidadão: “Mesmo que eles não venham a ser atletas futuramente, o esporte exige que eles tenham raça, persistência, trabalhem em equipe e isso gera bons profissionais”.

O professor Antônio Carlos, da Escola Estadual Profª Isaura de França, em Caetés I, Abreu e Lima, montou o time de vôlei há dois anos e quer ampliar a cultura esportiva do bairro: “Estamos tentando mostrar que não somos apenas futebol e nossa turma já está com 35 alunos de várias idades”. Alisson Ribeiro é um desses alunos. Ele já treinou pelo Sport e, agora, está na Seleção do Recife. “Meu rendimento melhorou muito na escola, porque o professor só deixa a gente treinar, se a gente estiver bem nas outras matérias. Eu já tinha reprovado uma vez, mas nesse ano vou passar”, disse. O sonho dele é ser atleta. David Pereira, do Rotary de Nova Descoberta, treina futsal há seis anos e handebol há quatro. “O esporte me ajuda bastante a pensar no coletivo, a saber controlar minhas emoções”, contou. A professora que treina David há três anos falou também sobre os outros alunos: “Eles são muito promissores no esporte”. Inclusive, o handebol masculino da escola foi campeão nesta edição da Olimpíada, levando o quarto troféu para o Rotary. David, atualmente, também treina pelo time de Handebol do Clube Português, referência no Estado.

ENCERRAMENTO - Depois de duas semanas, a Olimpíada Criança Cidadã 2016 teve sua conclusão na Secretaria de Educação do Estado, no bairro da Várzea, com apresentação dos alunos da Escola Estadual Frei Jaboatão CASE (Centro de Atendimento Socioeducativo). Um repertório com direito a muito forró antes da formação da mesa, que contou a com participação de representantes das secretarias estaduais de Educação; Turismo, Esporte e Lazer; Desenvolvimento Social, além de Iuri Cordeiro (presidente da ONG Ajuda), do desembargador Nildo Nery, fundador e presidente da Associação Beneficente Criança Cidadã, e do juiz da vara da Infância e Juventude, Paulo Brandão.

Paulo Brandão se emocionou ao falar sobre o evento. “Foi a melhor Olimpíada de todos os tempos. Aproveito pra comunicar que será lançado nessas escolas participantes da Olimpíada um portal de proteção à violência sexual, numa parceria entre as Secretarias de Educação, de Desenvolvimento Social e da ONG Ajuda (Assistência Jurídica aos Direitos dos Adolescentes)”, anunciou. O magistrado falou ainda sobre a importância da escola na concretização dos sonhos: “A escola deve ser tratada como um santuário, porque ela é meio de transformar sonhos em realidade”. Nildo Nery, fundador e presidente da ABCC, fez o pronunciamento final da mesa, antes da entrega dos troféus: “O que nós levamos da vida é o que fazemos ao próximo, principalmente, aos que mais precisam, porque é uma oportunidade de se fazer cidadania”.

Após as semanas de competições, o primeiro lugar geral da Olimpíada ficou para a Escola Estadual Alberto Torres, de Tejipió, seguida pela vice-campeã Escola Estadual Monte Verde e pela Escola Estadual Fernando Mota. A Olimpíada Criança Cidadã é uma parceria da Associação Beneficente Criança Cidadã com o Tribunal de Justiça de Pernambuco com apoio das Secretarias Estaduais de Educação; de Turismo, Esporte e Lazer; da Infância e da Juventude; da Fedepe, além das Forças Armadas do Brasil, e da Universo.

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