Revista Criança Cidadã - Matérias

Educando para a arte e para a vida

Edição 06 - Março/Abril 2011

Há 57 anos, o projeto leva música para crianças carentes

Focado no ideal de oferecer ensino musical gratuito às crianças de comunidades carentes, há 57 anos o Grêmio Musical Henrique Dias, primeira escola de música de Olinda, estimula o crescimento do cenário de artistas em Pernambuco, encaminhando instrumentistas talentosos e disciplinados para conservatórios, orquestras e bandas dentro e fora do Brasil.

Após passar por várias sedes, como na Ilha do Maruim e na Vila Popular, o Grêmio se localiza hoje nos Quatro Cantos, característico por sua estrutura pequena. Nas aulas do sábado, os alunos se acomodam como podem, pois a casa é cheia. “Mas somos como coração de mãe, tem espaço suficiente para receber alunos que vêm de Olinda e Recife. Tem aluno estudando aqui que mora na Avenida Recife, Vila Tamandaré, lugares distantes da escola. O Henrique Dias recebe todos de braços abertos”, disse o maestro e professor do Grêmio, Ivan do Espírito Santo.

Nas quintas e sextas, pela manhã e à tarde, as crianças e adolescentes tomam conta do Grêmio. Muitos buscam ali uma forma de se preparar para o futuro. “A música leva a gente para o topo, é tudo de bom. Eu quero ser um músico como o maestro Ivan”, sonha o aluno Emerson Nascimento, 11anos. Além disso, o objetivo maior é ocupar a mente desses meninos, já que uma boa parte vive em comunidades de risco. “A gente educa musicalmente e para a vida também, preenchendo um horário ocioso das crianças com a música”, explica o professor de iniciação musical e flauta doce, Eduardo Dantas.

A escola, que foi declarada como ponto de cultura pelo Fundo das Nações Unidas para a infância (Unicef), também tem uma grande importância para a história do Carnaval olindense. Desde 1954, o Grêmio participa das festividades dessa época com a banda musical e, atualmente, com a orquestra de frevo. Ela é uma das maiores incentivadoras do ritmo como raiz cultural de Pernambuco, também levando a tradição para a geração jovem. “Eu toco no Carnaval graças ao Grêmio, o que aumenta minha responsabilidade. Sem contar que eu amo o frevo e não pretendo largar nunca”, afirma a aluna e auxiliar do professor Duda, Ericka Priscila Batista, 16 anos.

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