Revista Criança Cidadã - Matérias

Meninos do Coque encantam Paulo Afonso

Edição 06 - Março/Abril 2011

O aniversário foi da Chesf, mas quem ganhou presente foi a Orquestra Criança Cidadã. Em viagem à Bahia, 60 Meninos promoveram mega-apresentação e curtiram dois dias de passeio

Em homenagem aos 63 anos da parceira Compainha Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), a Orquestra Criança Cidadã Meninos do Coque viajou a Paulo Afonso, na Bahia, em dois dias de muita música, diversão e aprendizado – com direito a uma mega-apresentação pública para cerca de 500 pauloafonsinos. Os meninos e meninas aprenderam sobre energia e hidroelétricas, visitaram instalações e desfrutaram da beleza da paisagem. Acompanhe, abaixo, o passo a passo dessa viagem inesquecível.

Partindo do Recife no dia 24 de março, a Orquestra chegou seis horas mais tarde à cidade baiana, que possui o conjunto de usinas conhecido como Complexo Hidroelétrico de Paulo Afonso. A Chesf recebeu os Meninos com um grande almoço no Hotel Belvedere, onde eles se hospedaram.

No dia seguinte, depois de um café da manhã bem caprichado, a próxima parada: Xingó, que fica a uma hora de Paulo Afonso e comporta a maior Usina Hidroelétrica da Chesf. A Orquestra foi acolhida no Centro de Recepções pelo relações públicas da Companhia, Eduardo Salavares. Lá, recebeu informações sobre os destinos seguintes. “Nós idealizamos este passeio para vocês conhecerem mais de perto o trabalho que a Chesf realiza. Vamos mostrar o que essa empresa representa no cenário nacional – e o mais importante de tudo, aproveitem a oportunidade de conhecer este lugar tão maravilhoso”, afirmou Salavares.

Seguiu-se um passeio de 18 quilômetros pelo Rio São Francisco, justamente na divisa com Sergipe e Alagoas. Na Escuna Maria Bonita, a Orquestra conheceu o famoso cânion de Xingó, originado a partir da construção da barragem da usina, que formou um vale profundo com cerca de 65 quilômetros, 170 metros de profundidade e uma largura que chega a 300 metros. O visual impressionou os jovens músicos: monumentos geográficos, rochas de granito avermelhado, além de diferentes espécies de aves e répteis da caatinga, vegetação local. “Essa vista é encantadora. Estou muito feliz pela oportunidade de conhecer o cânion. Será, com certeza, inesquecível”, comentou Bianca se Cássia Santos, violoncelista da Orquestra.

Embora a vista de cima da Maria Bonita tenha surpreendido os Meninos, foi lá de baixo, na água, que a diversão se potencializou. O banho na Gruta do Talhado – que recebeu o nome pela beleza das paredes, que parecem ter sido talhadas à mão – foi o ponto alto do dia. Os paredões enormes, com rochas areníticas, constituem um lugar próprio para mergulho e brincadeiras. “Estou adorando tudo isso aqui. E tomar banho então... Melhor parte até agora. Estou muito grato à Chesf por nos ter dado esta chance”, falou o violinista Luis Douglas de Morais.

No Noroeste de Sergipe, no município do Canindé do São Francisco, a Orquestra visitou o Museu Arqueológico de Xingó (MAX), apoiado pela Chesf. Criado para estudar, preservar e divulgar conhecimentos sobre a pré-história dos homens que viveram na região do baixo São Francisco, o MAX foi parada obrigatória. Lá, a Orquestra conheceu mais sobre a função da arqueologia, os antepassados da cidade e da vegetação da caatinga. Foram exibidas peças encontradas nas escavações que aconteceram durante a construção das usinas hidroelétricas.

A visita à usina de Xingó finalizou o momento lúdico. Os jovens puderam ver, de perto, o complexo trabalho realizado com a água do São Francisco, que transforma energia mecânica em energia elétrica – e, ao final, leva luz às cidades. Sobre o primeiro dia de diversão, Filipe Ferreira, o mais novo do grupo, expressava alegria e não parava de comentar com os amigos. “Foi massa! O melhor passeio que já fiz na vida”.

PAULO AFONSO

O segundo dia de viagem foi dedicado à cidade de Paulo Afonso, dona de grandes belezas naturais e de uma história peculiar de desenvolvimento. No Memorial da Chesf, a Orquestra aprendeu que Paulo Afonso cresceu com a Chesf, logo se tornando o polo de maior concentração de trabalho da Companhia. É lá onde funcionam cinco das 14 usinas hidroelétricas.

Como o Memorial é fruto de uma parceira com a comunidade, ele funciona, também, como patrimônio cultural, onde são promovidas exposições. No dia, os moradores estavam comemorando o centenário de um grande símbolo nordestino: a companheira de Lampião, Maria Bonita, cuja história é marcada por coragem e quebra de tabus.

O guia do percurso, o técnico da Chesf Sivanildo da Costa, expressou satisfação em receber a visita dos Meninos. “É muito bom receber esses artistas aqui em nossa cidade. Acho muito importante conhecer sobre a formação da Companhia, que tanto faz pelo nosso país”.

Depois da visita ao Memorial, a Orquestra seguiu para a Usina Hidrelétrica Paulo Afonso IV, também conhecida como PA IV, a maior do Complexo Hidrelétrico de Paulo Afonso. A equipe técnica da Chesf contabiliza a produção de 2.462,4 megawatts de energia a partir da força das águas da Cachoeira de Paulo Afonso, localizada no São Francisco.

E foi a Cachoeira de Paulo Afonso a próxima parada da Orquestra – ela que é a primeira cachoeira programável do mundo. Os Meninos, mais uma vez, se encantaram com a natureza do lugar, composta também de patrimônios históricos. Uma placa que registra a visita de Dom Pedro II surpreendeu a todos. O monarca visitou a cachoeira no dia 20 de outubro de 1859.

O CONCERTO

O concerto de comemoração aos 63 anos da Chesf, muito prestigiado, comprovou o talento da Orquestra Criança Cidadã. A Chesf fez questão de promover a apresentação no lugar que simboliza o começo da relação entre Paulo Afonso e a Chesf: a Praça das Mangueiras. Visivelmente felizes, os pauloafonsinos lotaram o local.

O espetáculo se iniciou com uma homenagem preparada pela Companhia para um grande nome da música Nordestina, o poeta e compositor José de Souza Dantas, mais conhecido como Zé Dantas. A esposa (viúva) e a filha do poeta descerraram a placa que simbolizou o tributo e que, a partir daquele momento, ficou alocada na praça.

Mas foi a apresentação dos Meninos do Coque o grande presente da noite. Para começar, e não podia ser diferente, o grande hino da cidade: a música “Paulo Afonso”, de Zé Dantas. Seguiram-se “Mourão de Guerra Peixe”, “O que é que a baiana tem”, “Aquarela do Brasil” e muitas outras, realçadas pela chuva de fogos de artifício. “Estou encantada com esses meninos. Não conhecia o projeto. Valeu muito apena assisti-los hoje. Foi muito bonito”, disse a dona de casa Lourdes da Silva.

Num ato de reconhecimento à Chesf, maior aportadora de recursos da Orquestra Criança Cidadã, os Meninos do Coque também entregaram uma placa para expressar gratidão. O diretor-administrativo da Compainha Hidro Elétrica de São Francisco, José Pedro Alcântara, foi quem recebeu a homenagem. “Tenho certeza de que, hoje, todos que fazem parte do grupo da Chesf, além do povo de Paulo Afonso, estão lisonjeados com essa bela apresentação. Esses meninos e meninas são incríveis. Eles são exemplos para muitos, e a Chesf tem muito orgulho de fazer parte disso”, afirmou o diretor.

UM PROJETO PARA PAULO AFONSO

Para quem assistiu à apresentação da Orquestra, a curiosidade se direcionou a 15 cadeiras posicionadas num lugar exclusivo, pertinho do palco. Eram os assentos das 15 crianças, entre 5 a 10 anos de idade, que fazem parte de um projeto parecido com a Orquestra Criança Cidadã, que também recebe apoio da Chesf. Trata-se de uma ação da Fundação Fundame, que tem o objetivo de formar músicos cidadãos.

O prefeito Amilton Bastos, admirado com a performance da Orquestra Criança Cidadã, mostrou interesse no método utilizado pela Orquestra Cidadã. “Seria muito bom ter um projeto como esse na nossa cidade. “Quem sabe, um dia, teremos uma Criança Cidadã também”, comentou o prefeito. “Estou muito lisonjeado e agradeço a Chesf por tudo que ela faz pela nossa comunidade. E a esses talentosos meninos, só tenho que expressar uma grande admiração.

“Fico certo de uma coisa: o mundo pode tirar de mim todos os meus bens materiais, mas de uma coisa eu sei. Nunca poderão levar as minhas lembranças, que ficarão na minha mente pra sempre. Só tenho a agradecer a Chesf por tudo que ela fez e faz por todos nós do projeto”, resumiu José Edson, percussionista da Orquestra.

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