Revista Criança Cidadã - Matérias

Cidadãos e tenistas

Edição 06 - Março/Abril 2011

Nova parceria deve beneficiar Meninos do Coque com aulas de tênis. A iniciativa é motivada por projeto social que utiliza o esporte para inclusão social

Há 24 anos em funcionamento, o Squash Tennis Center é um dos centros esportivos de ensino de tênis e squash mais antigos na cidade. Fundado por Helson Barros, um amante do esporte, a academia abriu em julho de 1987, quando a modalidade esportiva ainda nem tinha grandes ícones brasileiros, como Gustavo Kuerten. No entanto, o centro estreou, trazendo, além do tênis, um segundo diferencial: um exemplo de cidadania de solidariedade.

Desde que surgiu, a academia, localizada em Boa Viagem, próxima ao Aeroporto do Recife, abre suas portas para crianças e adolescentes da Comunidade Beira do Rio, para que possam aprender um esporte. Ali, elas têm a oportunidade de crescer. Começam pelo boleiro – o encarregado de buscar a bola quando ela vai muito longe -, podendo passar para batedor – os que jogam com os clientes da casa – e chegarem, inclusive, a se tornar professores de tênis.

Esse gesto acabou gerando, recentemente, uma aliança entre o Squash Tennis Center e a Associação Humanitária Beneficente do Recife (AHMAR). A parceria, que já existe há três anos, oficializou o projeto Tênis Para a Vida, que busca incluir socialmente e livrar da marginalização as crianças da comunidade local através do tênis. Atualmente, são 60 crianças de 57 famílias atendidas com suporte de cesta básica mensal, atendimento médico e orientação às crianças e aos pais. Apesar de ainda não contar com patrocinadores fixos, os trabalhos no Tênis Para a Vida vêm se desenvolvendo com muita garra e perseverança. “É muito gratificante. E agora, que estamos buscando parceiros para ajudar a nos profissionalizar, vai ser um salto ainda maior”, afirma Mônica Barros, uma das diretoras do Squash Tennis Center.

A filha de Nerize Alves da Silva, Mayara, começou no projeto no início de 2011. Muito contente pela filha, Nerize só tem boas recordações do projeto. “O projeto é bom porque dá a oportunidade às crianças. Eu moro aqui há 20 anos, tenho um sobrinho que começou aqui no clube, hoje é professor. Meu marido e meu cunhado também começaram aqui”, diz. Maria Jaqueline Morais, também inscreveu a filha, Caroline, no projeto no começo deste ano. “É maravilhoso! O pessoal aqui atende bem. Não tenho do que reclamar”, afirma.

SUPERAÇÃO PELO TÊNIS

Foi criança como Mayara e Caroline, por volta dos 14 anos, que Djalma José Balbino de Almeida chegou a Squash Tennis Center. Com uma história de vida sofrida, Djama morou na favela, vendeu chicletes na rua e conviveu de perto com o mundo do crime e das drogas. Hoje, com 28 anos, o garoto se transformou em professor de tênis. Casado, com uma profissão, casa própria e cursando o 5º período de Educação Física, Djalma é exemplo de um dos muitos resgatados pelo tênis. “Hoje sou uma pessoa cheia de sonhos. E digo: nunca desista de deles. Tem que ser otimista e pensar positivo”, diz o rapaz, sempre com um sorriso no rosto.

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