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20/abril/2011

Bullying discutido em palestra

Evento realizado pelo CIEE ontem à tarde debateu o tema com estudantes

Folha de Pernambuco
Seja nas escolas públicas ou particulares, a discussão acerca do bullying ganhou novas dimensões após a tragédia de Realengo, no Rio de Janeiro. Ampliado no cenário nacional, o debate sobre o tema também já passou a se fazer presente no Recife. Em uma palestra promovida pelo Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) na tarde de ontem, novatos e experientes no assunto se encontraram para tratar o combate ao bullying e a homofobia. O público-alvo do encontro eram alunos de escolas públicas. Jovens egressos também participaram do evento para esclarecer e combater o problema. Na rede de ensino do Recife uma nova campanha contra a prática também será iniciada nos próximos dias.

Vítima de bullying dos 7 aos 13 anos, o estudante de Pedagogia Geraldo Marques, 27, tenta entender melhor o que passou durante a infância e começo da adolescência. Nesse período, ele estudou em um colégio particular e era agredido verbalmente com frequência pelos colegas, que se aproveitavam de situações diversas para fazer brincadeiras com o companheiro de sala. “Vários colegas meus tinham essa atitude infeliz e eu tive problemas de relacionamento e comunicação com as pessoas por causa das agressões verbais. Eles agiam sempre de forma pejorativa. Me sentia coagido em ir para a aula naquele ambiente hostil. Eu gostava de estudar, mas não queria mais ir para a escola”, contou.

Segundo Geraldo, os pais dele foram informados e tentaram intervir. “Os meus colegas de classe reduziram as brincadeiras, mas aquilo só terminou quando mudei de colégio”, disse. A motivação para participar da palestra realizada ontem foi, de acordo com Geraldo, melhor entender o problema. “O processo de violência que sofri gerou essa necessidade de colher informações sobre o tema, que até hoje ainda é muito pouco divulgado, tanto pelos educadores quanto por palestrantes”, afirmou.

O relações públicas Jamilson Benvenuto foi o professor voluntário que ministrou a palestra. Ele destacou o crescente aumento dos casos de bullying nas escolas particulares do Recife. “Pernambuco é um dos estados que mais tem registrado casos de bullying. Dados já confirmam que eles são mais presentes nas escolas particulares, onde não existe tanta conscientização. Os menos favorecidos têm hoje um melhor acesso às informações, a um conteúdo esclarecedor maior do que o oferecido pela rede particular”, pontuou.

De acordo com Benvenuto, outra ligação a ser discutida com o bullying é a homofobia não só nas escolas, mas também nos ambientes de trabalho. “Nos casos de bullying há sempre uma comoção muito grande e nós nos perguntamos o que fazer para esclarecer e transmitir essa mensagem de educação e como solucionar esses conflitos. A homofobia não é a única causa de bullying, mas corresponde a uma boa parte dele”, afirmou.

Na rede de ensino do Recife, uma nova campanha contra o bullying terá início no mês de maio e segue até agosto. Em 2010, a iniciativa teve início, mas foi destinada apenas aos professores dos programas de correção de fluxo escolar. Na nova campanha serão contemplados os 2.520 professores e os 231 coordenadores da rede municipal. “Vamos fazer um trabalho com toda a comunidade escolar de sensibilização, prevenção e combate ao fenômeno do bullying, um problema que cresce assustadoramente todos os dias”, disse a gerente de aprendizado do 1º e 2º ciclo da rede municipal, Marisa Augusta.

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